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Eleições nos EUA: O que o resultado das Midterms significa para o Brasil

02 de novembro de 2026
Eleições nos EUA: O que o resultado das Midterms significa para o Brasil

Destaques

  • •Eleições de meio de mandato nos EUA definirão o controle do Congresso, com potencial para impactar a política externa e a relação bilateral com o Brasil.
  • •Um Congresso controlado pelos democratas pode levar a maior escrutínio sobre a agenda de Trump, afetando setores como tecnologia, saúde e defesa, com possíveis reflexos para empresas brasileiras.
  • •O resultado das eleições pode influenciar o câmbio, a política monetária e a agenda econômica dos EUA, com consequências indiretas para o mercado financeiro brasileiro.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro, são cruciais para o futuro das relações do Brasil com seu principal parceiro nas Américas. O pleito definiu a composição de todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 do Senado e 39 governadores. Pesquisas indicavam uma forte possibilidade de a oposição democrata conquistar a maioria em uma ou ambas as Casas do Congresso, cenário que poderia alterar significativamente a política interna e externa americana, com reflexos para o Brasil.

O que está em jogo para o Brasil e a política externa

A disputa eleitoral nos EUA, conhecida como eleições de meio de mandato ou "midterms", é vista como um termômetro da administração do presidente Donald Trump. Historicamente, o partido do presidente tende a perder cadeiras no Congresso nessas eleições. Caso os democratas conquistassem a maioria na Câmara dos Representantes e, em menor grau, no Senado, teriam mais poder para fiscalizar e contestar a agenda de Trump. Isso poderia incluir a revisão de tarifas impostas a produtos brasileiros e um exame mais rigoroso da política americana para a América Latina.

O controle democrata do Congresso poderia permitir o bloqueio de políticas de Trump, a abertura de investigações sobre sua gestão e, na Câmara, até a discussão de um processo de impeachment. Temas como a decisão de Trump de entrar em conflito com o Irã sem autorização do Congresso, políticas de imigração e suspeitas de enriquecimento por parte de membros da família Trump poderiam ser alvos de investigação. No Senado, uma eventual maioria democrata poderia bloquear nomeações presidenciais para o sistema judicial e agências reguladoras.

Impacto nos setores empresariais e financeiros

O setor empresarial norte-americano se preparava para uma possível mudança no equilíbrio de poder em Washington. Analistas apontavam que, em caso de um forte desempenho democrata, ações de energia limpa, habitação e saúde poderiam ser beneficiadas. Por outro lado, empresas de inteligência artificial (IA), centros de dados e defesa poderiam passar por um escrutínio mais rigoroso. A Lei de Redução da Inflação de 2022, com investimentos em medidas climáticas, poderia ser reforçada.

Empresas de IA e centros de dados poderiam enfrentar maior pressão, com democratas mais propensos a usar poderes de intimação para investigar comportamentos prejudiciais. O setor de saúde poderia ver aumento no escrutínio de planos como Medicaid e Medicare Advantage, com potencial para mais gastos e pressão sobre preços de medicamentos. No setor de defesa, o controle democrata da Câmara poderia colocar os gastos militares sob escrutínio, embora conflitos regionais mantenham a demanda por armas.

Cenário pós-eleição e próximos passos

Mesmo com uma possível maioria democrata no Congresso, Trump manteria o poder de vetar projetos e usar instrumentos executivos. No entanto, uma oposição forte no Legislativo dificultaria os dois anos finais de sua Presidência. Para o Brasil, o cenário em Washington representa uma oportunidade de buscar uma melhor relação com o governo Trump, ao mesmo tempo em que constrói pontes com novos atores políticos. A relação bilateral precisará ser construída levando em conta a mudança no ciclo político dos EUA, com a possibilidade de investigações e limites orçamentários impostos pelo Congresso trazendo mais transparência e potencialmente freando políticas controversas.

A votação antecipada nos EUA registrou mais de 53,1 milhões de eleitores até 1º de novembro, superando o número de 2022. Entre os que já votaram, havia mais democratas registrados do que republicanos. O custo de vida, especialmente o preço dos combustíveis, foi apontado como um fator decisivo para muitos eleitores. Sites de apostas atribuíam aos democratas uma chance de 70% a 72% de conquistar a Câmara e o Senado. Uma vitória democrata poderia pressionar o dólar, levar a um impasse em relação ao teto da dívida e incentivar Trump a adotar uma agenda de política externa mais intervencionista. O risco de shutdown governamental, com financiamento do governo apenas até 11 de dezembro, também foi alertado.

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