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Eleições Midterm nos EUA: O que esperar do resultado de 2026

28 de outubro de 2026
Eleições Midterm nos EUA: O que esperar do resultado de 2026

Destaques

  • •As eleições de meio de mandato nos EUA em 2026 renovarão a Câmara e parte do Senado, podendo alterar o equilíbrio de poder no Congresso.
  • •O resultado pode impactar a capacidade do presidente Donald Trump de aprovar novas medidas e influenciar decisões econômicas e comerciais.
  • •Historicamente, o partido do presidente em exercício tende a perder cadeiras nas midterms, com o pleito de 2026 ocorrendo em 3 de novembro.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, ocorrerão em 3 de novembro de 2026. Neste pleito, os eleitores americanos renovarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas no Senado, além de elegerem governadores em 36 estados. Embora a Presidência não esteja em disputa, o resultado tem o potencial de alterar significativamente o equilíbrio de poder no Congresso, impactando a agenda legislativa e a capacidade de ação do presidente Donald Trump.

Atualmente, o Partido Republicano detém a maioria em ambas as Casas do Congresso. Caso os democratas consigam conquistar a maioria na Câmara ou no Senado, ou em ambos, poderão impor barreiras à aprovação de propostas do governo, intensificar investigações e influenciar diretamente decisões sobre orçamento, impostos e política comercial.

Como funcionam as Midterms e o que está em jogo?

As midterms ocorrem na metade do mandato presidencial, dois anos após a eleição geral. Diferentemente do Brasil, onde mandatos são de quatro anos para deputados e oito para senadores, nos EUA, deputados federais cumprem mandatos de dois anos, e senadores, de seis anos, com renovação de um terço a cada eleição de meio de mandato.

Na Câmara dos Representantes, todas as 435 cadeiras estão em disputa, exigindo 218 votos para a maioria absoluta. No Senado, 35 cadeiras serão disputadas, com a necessidade de 51 votos para a maioria. Atualmente, os republicanos possuem 218 deputados (com duas vagas em aberto) e 53 senadores, contra 214 democratas e 45 democratas (mais dois independentes alinhados).

Além das vagas no Congresso, serão eleitos governadores em 36 estados e territórios, e diversos cargos estaduais e municipais. O sistema eleitoral é descentralizado, com cada estado definindo suas regras de votação, incluindo modalidades antecipada e pelo correio. O voto não é obrigatório.

Impacto no poder de Donald Trump e no Congresso

Se os democratas conquistarem a Câmara, poderão dificultar a aprovação de projetos presidenciais e assumir o controle de comissões parlamentares, ampliando a fiscalização do Executivo. Uma maioria democrata no Senado teria maior controle sobre as indicações presidenciais, como ministros da Suprema Corte e juízes federais, podendo rejeitar nomeações.

Caso os democratas controlem ambas as Casas, Trump enfrentaria maior resistência legislativa, embora mantenha o poder de veto. A Câmara também pode aprovar um processo de impeachment por maioria simples, mas a condenação final depende de dois terços dos votos no Senado. O Congresso também pode derrubar vetos presidenciais com o mesmo quórum qualificado.

A obstrução parlamentar conhecida como filibuster no Senado pode exigir 60 votos para a aprovação de propostas legislativas, embora existam exceções.

Consequências econômicas e para o Brasil

As midterms também têm implicações econômicas. O Congresso participa da aprovação de leis tributárias, define gastos federais e o orçamento público. Uma mudança de maioria pode alterar negociações sobre impostos, despesas e financiamento de programas federais. A política comercial americana, incluindo tarifas sobre importados, também pode ser afetada.

Segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o comércio bilateral de bens e serviços com o Brasil movimentou cerca de US$ 135,7 bilhões em 2025. Mudanças na política comercial americana podem impactar empresas brasileiras exportadoras e importadoras, embora não haja garantia de alterações diretas no câmbio ou nas bolsas.

A economia é a principal preocupação dos eleitores, com 84% dos eleitores registrados considerando o tema muito importante para seu voto, segundo pesquisa do Pew Research Center. O custo de vida, especialmente preços de gasolina, energia e alimentos, também é um ponto central.

Histórico e expectativas para 2026

Historicamente, as midterms costumam resultar em perdas para o partido do presidente em exercício. Entre 1946 e 2022, isso ocorreu em 18 das 20 eleições de meio de mandato. Donald Trump, por exemplo, viu os republicanos perderem a maioria na Câmara em 2018.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro de 2026 indicou 47% de preferência pelos democratas e 36% pelos republicanos para o Congresso, e aprovação de 32% para Trump. No entanto, esses números não são previsões diretas da distribuição de cadeiras, pois as eleições são decididas localmente.

Os parlamentares eleitos iniciarão seus mandatos em 3 de janeiro de 2027, com o início da 120ª legislatura americana. O Congresso atual continuará suas funções até lá, com um orçamento temporário federal válido até 11 de dezembro de 2026.

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