Eleições em Israel: Crescimento de partidos árabes força negociações para formar governo

Destaques
- •Partidos árabes aumentam representação no parlamento israelense, tornando-se cruciais para a formação de governo.
- •Nenhum bloco principal alcançou maioria, forçando negociações e abrindo espaço para alianças inéditas.
- •Acompanhar as negociações entre os partidos e a decisão do presidente de Israel sobre quem tentará formar o governo.
As eleições em Israel trouxeram um destaque inédito: o expressivo crescimento dos partidos árabes, que passaram de 12 para uma projeção de 18 assentos na Knesset, o parlamento israelense. Com a apuração de cerca de 70% a 75% das urnas, nenhum dos blocos principais atingiu a maioria necessária de 61 assentos, o que torna a participação ou o apoio dos partidos árabes fundamental para a formação de um governo. O bloco liderado pelo atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, sofreu uma queda significativa, projetando cerca de 54 cadeiras, enquanto a oposição também se mostra dividida.
O impasse na formação do governo
A análise de especialistas como Eduardo Wurzmann, presidente do instituto Brasil-Israel, e Michel Gherman, coordenador do programa de Sociologia da UFRJ, aponta para um cenário de negociações intensas. Wurzmann destacou que o crescimento árabe é a "notícia mais relevante" do pleito, com um aumento de participação eleitoral árabe de 54% para cerca de 65% a 66%, enquanto o índice geral de participação atingiu 77,5%, o maior em 30 anos. A população árabe representa cerca de 20% dos israelenses e já possui presença ativa em diversas áreas da sociedade.
A dificuldade em formar uma maioria clara coloca o presidente de Israel, Isaac Herzog, em uma posição central. Após a instalação da nova Knesset, prevista para ocorrer em até sete ou oito dias, ele consultará os líderes partidários para designar quem tentará chefiar o governo. Essa pessoa terá um prazo de 21 a 28 dias para concluir as negociações, sob o risco de novas eleições antecipadas.
Pressão por negociação e obstáculos
A possibilidade de formar uma maioria com o apoio dos partidos árabes tem sido defendida por alguns, como Yair Golan, líder do partido Democratas, que afirmou não ver razão para não buscar essa aliança, argumentando que a oposição teria votos suficientes. No entanto, figuras como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, líder do partido Yisrael Beiteinu, expressaram restrições a esse tipo de aliança. Lieberman é apontado como o principal obstáculo dentro do bloco oposicionista devido à sua postura fechada.
Gherman ressaltou que, apesar das declarações públicas, negociações nos bastidores podem revelar um pragmatismo maior por parte de alguns partidos árabes, como o Partido Islâmico Ra’am, que incluiu um ex-comandante da polícia israelense judeu em sua lista. Essa situação é considerada inédita e pode levar dois partidos árabes a atuarem como apoiadores externos de uma coalizão de oposição.
Cenários e próximos passos
A alternativa de Netanyahu abrir mão de partidos de extrema-direita para incluir legendas de centro-direita e esquerda em um novo governo é considerada improvável por Gherman. A convocação de novas eleições também é vista como "absurda", dado o número de cadeiras perdidas pelo Likud. A certeza é que as negociações estão em curso, e a participação dos partidos árabes, antes marginalizada, tornou-se um fator decisivo para o futuro político de Israel.
Matérias originais
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