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Eleições 2026: 34 ações da B3 atingem mínimas anuais após segundo turno

29 de outubro de 2026
Eleições 2026: 34 ações da B3 atingem mínimas anuais após segundo turno

Destaques

  • •34 ações da B3, equivalentes a 22,97% do universo analisado, atingiram suas menores cotações do ano em 26 ou 27 de outubro.
  • •Entre os papéis com quedas mais expressivas, Ecorodovias recuou 60,53%, Hapvida 54,93% e Grupo SBF 51,41% em relação ao fechamento anterior ao segundo turno.
  • •O levantamento da Elos Ayta aponta a volatilidade do mercado acionário e a importância do momento de entrada e saída para o investidor.

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi seguido por um movimento expressivo de desvalorização em parte do mercado acionário brasileiro. Um levantamento da Elos Ayta, com 148 ações do Ibovespa, Índice Dividendos (IDIV) e Índice Small Cap (SMLL), identificou que 34 papéis, o equivalente a 22,97% do universo analisado, atingiram suas menores cotações do ano nos dias 26 ou 27 de outubro, imediatamente após a votação.

A intensidade das quedas chamou a atenção. Entre essas 34 ações, 12 registraram desvalorização superior a 40% em relação ao fechamento de sexta-feira, 23 de outubro, último pregão anterior ao segundo turno. Três perderam mais da metade de seu valor nesse intervalo: Ecorodovias, com queda de 60,53%, Hapvida, com 54,93%, e Grupo SBF, com 51,41%.

Os números também revelam como o desempenho de uma ação pode mudar radicalmente ao longo de poucos meses ou até mesmo de alguns dias. Entre os 34 papéis analisados, 31 chegaram a apresentar valorização em relação ao encerramento de 2025, mas posteriormente devolveram os ganhos e passaram a acumular perdas no ano. O levantamento permite observar duas dimensões importantes do mercado acionário: a intensidade das quedas após o segundo turno e a trajetória dos preços ao longo de 2026.

Quedas expressivas após o segundo turno

A análise considerou os preços de fechamento de 23 de outubro e os preços registrados em 26 ou 27 de outubro, data em que cada ação atingiu sua mínima anual. Das 34 ações selecionadas, 13 registraram suas mínimas no primeiro pregão posterior ao segundo turno, em 26 de outubro, enquanto outras 21 atingiram esse patamar no dia seguinte.

Entre os casos mais expressivos está a Ecorodovias. A ação encerrou o dia 23 de outubro cotada a R$ 13,15 e atingiu R$ 5,19 no fechamento de 26 de outubro, uma desvalorização de 60,53%. A Hapvida apresentou comportamento semelhante, com seus papéis passando de R$ 8,83 para R$ 3,98 no mesmo intervalo, acumulando queda de 54,93%. Já o Grupo SBF registrou desvalorização de 51,41%, com a cotação passando de R$ 11,36 para R$ 5,52.

Outras empresas também apresentaram perdas expressivas. Randon recuou 49,63%, Cosan perdeu 48,46%, Pague Menos caiu 48,25%, C&A apresentou desvalorização de 47,47% e Cyrela registrou queda de 46,56%. Um investimento hipotético de R$ 100 mil em ações da Ecorodovias, realizado ao preço de fechamento de 23 de outubro, teria seu valor reduzido para aproximadamente R$ 39,5 mil no fechamento de 26 de outubro, considerando exclusivamente a variação das cotações ajustadas, uma redução de cerca de R$ 60,5 mil em um único pregão.

Da valorização ao prejuízo: quando os ganhos desaparecem

Embora as quedas posteriores ao segundo turno tenham sido expressivas, a trajetória de algumas empresas mostra que parte das perdas já vinha ocorrendo antes das eleições. Um exemplo é a Usiminas. A ação encerrou 2025 cotada a R$ 5,95 e atingiu R$ 12,04 em 2 de junho de 2026, acumulando valorização de 102,35%. Entretanto, em 27 de outubro, sua cotação havia recuado para R$ 5,69, representando uma desvalorização de 52,74% em relação à máxima anual.

Nesse caso, a queda posterior ao segundo turno foi de 14,18%, mostrando que uma parcela significativa da desvalorização ocorreu antes da eleição. O Banco do Brasil também oferece um exemplo relevante. Seus papéis chegaram a apresentar valorização de 26,86% em fevereiro, mas atingiram a mínima de outubro acumulando perda de 18,74% no ano. Somente após o segundo turno, a desvalorização foi de 29,69%. Esses casos mostram que uma ação pode apresentar forte valorização durante determinado período e, posteriormente, devolver os ganhos.

Velocidade das perdas e o comportamento do investidor

Outro aspecto relevante do levantamento é a velocidade com que algumas ações perderam valor. A Cyrela, por exemplo, registrou sua máxima anual de R$ 35,57 em 23 de outubro. Apenas quatro dias corridos depois, em 27 de outubro, a cotação havia recuado para R$ 19,01, uma queda de 46,56%. A Riachuelo apresentou trajetória semelhante, atingindo R$ 11,55 em 23 de outubro e encerrando o pregão de 26 de outubro cotada a R$ 6,44, uma desvalorização de 44,24% em três dias corridos. Já a C&A registrou sua máxima anual em 20 de outubro, quando suas ações alcançaram R$ 14,27. No dia 26, a cotação havia recuado para R$ 7,27, representando uma perda de 49,05% em apenas seis dias corridos.

Embora as desvalorizações tenham ocorrido em um ambiente de incerteza política e econômica, não é possível atribuí-las integralmente ao resultado eleitoral sem considerar outros fatores que também influenciam os preços das empresas. O levantamento da Elos Ayta evidencia que a valorização acumulada durante determinado período não garante a preservação dos ganhos. As oscilações podem ocorrer gradualmente ou de maneira abrupta. O preço de entrada e o momento de saída influenciam diretamente o resultado do investimento. Mudanças nas expectativas econômicas, nas taxas de juros e na percepção dos investidores podem provocar alterações significativas nas cotações.

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