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Edenred Brasil discute governança e ética em IA para inovação responsável

04 de novembro de 2026
Edenred Brasil discute governança e ética em IA para inovação responsável

Destaques

  • •Edenred Brasil promove debate sobre a importância da governança de dados e ética na implementação de inteligência artificial.
  • •Especialista destaca a necessidade de transparência, controle de riscos e envolvimento de todas as áreas para acelerar a inovação com segurança.
  • •A evolução regulatória e tecnológica aponta para um aumento da relevância da área de proteção de dados e governança de IA.

A implementação de inteligência artificial (IA) nas empresas vai além do cumprimento de exigências regulatórias. Com a expansão da IA generativa e de agentes de IA, as organizações precisam estabelecer mecanismos de governança robustos para acompanhar a evolução tecnológica, gerenciar riscos e garantir que os usuários compreendam como seus dados são utilizados e suas decisões influenciadas. A quarta edição do DPO Talks, promovida pela Edenred Brasil, abordou esses desafios, com destaque para a importância de integrar ética, transparência e proteção de dados às estratégias de inovação.

Aline Fachinetti, diretora de Proteção de Dados e Compliance de IA da Edenred Brasil, ressaltou que um dos principais desafios é transformar princípios gerais em práticas concretas que assegurem a segurança e a confiabilidade das aplicações. Muitos usuários ainda não identificam quando interagem com sistemas de IA ou compreendem a origem das respostas geradas. A transparência, segundo ela, deve ser adaptada às características de cada público, especialmente em aplicações que afetam decisões sobre saúde, consumo e acesso a serviços. Comunicar de forma acessível quais dados são usados, como as decisões são tomadas e quais direitos podem ser exercidos é fundamental, incluindo a possibilidade de solicitar revisões de processos automatizados.

Governança como aliada da inovação

Fachinetti desmistificou a ideia de que governança e proteção de dados são obstáculos à inovação. Pelo contrário, a definição de controles adequados permite que as empresas ampliem o uso da tecnologia com maior segurança. Ela comparou a governança a mecanismos de segurança em automóveis, como o cinto de segurança, que permitem avançar sem ignorar os riscos. "A ideia da governança, de fazer as coisas certas, é você poder acelerar ainda mais a inovação, mas acelerar direito", afirmou.

Os riscos são inerentes às atividades empresariais e o desafio reside em identificá-los, compreender seus impactos e estabelecer mecanismos de prevenção e resposta. Os controles devem ser proporcionais à complexidade da aplicação e ao porte da empresa. Uma pequena empresa com uso simples de IA não necessita da mesma estrutura de governança de uma organização em setor altamente regulado. O modelo de negócio, o público atendido e a complexidade das soluções devem orientar a definição de políticas e supervisão.

Edenred busca padrões globais e locais

A atuação internacional da Edenred adiciona complexidade à implementação de políticas de proteção de dados e compliance de IA, devido às diferenças regulatórias entre países. A companhia busca estabelecer princípios mínimos de governança e inovação responsável em suas operações, mesmo em mercados sem regulamentações específicas sobre IA. A estratégia considera tanto as exigências locais quanto os padrões internacionais, acompanhando discussões regulatórias europeias, como o AI Act, e debates no Brasil sobre o marco legal da inteligência artificial.

O trabalho envolve conscientizar colaboradores, aprimorar processos e garantir o engajamento das equipes na aplicação das diretrizes corporativas. A estratégia considera tanto as exigências locais quanto os padrões adotados internacionalmente pela organização.

Proteção de dados: responsabilidade compartilhada

A expansão da IA está transformando o papel dos profissionais de privacidade e proteção de dados. Suas funções agora incluem discussões sobre governança de IA, riscos tecnológicos, fraudes e decisões automatizadas, exigindo maior colaboração entre diferentes áreas. As organizações estão formando equipes multidisciplinares e comitês para integrar profissionais de tecnologia, jurídico e negócios nos processos de avaliação e desenvolvimento de soluções.

A responsabilidade pela proteção de dados não pode ficar concentrada em um único departamento, pois os riscos estão presentes em diversas etapas das operações. A IA também contribui ao ampliar o acesso dos colaboradores a informações e conhecimentos de outras áreas, permitindo uma participação mais abrangente nas decisões. A conscientização sobre os riscos do uso de dados, impulsionada pela popularização da IA, faz com que colaboradores reconheçam a importância dessas questões em suas vidas pessoais e profissionais.

O que diz a pesquisa

Um artigo publicado na RCMOS - Revista Científica Multidisciplinar O Saber em 2026, intitulado "Governança de dados e inteligência artificial na gestão de pequenas e médias empresas", examina as condições organizacionais necessárias para a utilização de dados e IA na gestão dessas empresas. Por meio de revisão narrativa de literatura acadêmica e documentos institucionais publicados até 2025, o estudo discute a relação entre qualidade da informação, capacidade analítica, seleção de aplicações e responsabilidade decisória.

O objetivo é organizar critérios para avaliar iniciativas digitais sem confundir a aquisição de ferramentas com a transformação efetiva dos processos. A síntese propõe uma sequência de diagnóstico, preparação informacional, experimentação controlada, avaliação econômica e transferência de conhecimento. Trata-se de uma contribuição conceitual, sem validação empírica própria e sem estimativa de retorno universal. Conclui-se que a implantação deve preservar rastreabilidade, supervisão proporcional ao risco e capacidade interna de manutenção.

Para os próximos anos, a área de proteção de dados e governança de IA continuará ganhando relevância, impulsionada pela evolução tecnológica e pelo desenvolvimento de novas regulamentações. A capacidade de inovar de maneira responsável dependerá da integração entre políticas corporativas, conscientização dos colaboradores e mecanismos de controle adaptados aos riscos de cada aplicação, mantendo a confiança e a proteção das pessoas como elementos centrais da transformação digital.

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