Economistas veem desvalorização do real como exagerada e esperam recuperação parcial

Destaques
- •Instituições financeiras internacionais avaliam que a recente desvalorização do real frente ao dólar foi excessiva.
- •A composição conservadora do Congresso e a necessidade de ajuste fiscal são vistos como fatores que podem conter gastos públicos.
- •Projeções de bancos indicam uma possível recuperação da moeda brasileira, com o dólar podendo voltar a R$ 5,20 a R$ 5,30 no médio prazo.
Economistas e estrategistas de grandes instituições financeiras internacionais consideram que a forte desvalorização do real após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi exagerada e veem espaço para uma recuperação parcial da moeda brasileira. A avaliação é que um ajuste nas contas públicas e a presença de um Congresso com perfil mais conservador podem ajudar a limitar uma agenda fiscal expansionista, mantendo uma visão construtiva sobre o real no médio prazo.
Desde o último pregão antes do segundo turno, o dólar acumulou alta de 10,33% frente ao real. Na primeira semana após a eleição, a moeda americana subiu mais de 9%, registrando a maior valorização semanal desde o auge da crise financeira global de 2008.
O que dizem os analistas internacionais
O analista de câmbio Michael Pfister, do Commerzbank, classificou a depreciação do real como aguda e ressaltou que pode haver uma correção no curto prazo. Ele projeta o dólar a R$ 5,20 no fim do ano, apostando que o mercado precificou um risco de política fiscal mais frouxa. Para Pfister, o fator-chave no médio prazo será a capacidade de Lula de implementar um ajuste fiscal crível e reformas econômicas.
O economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, elevou sua projeção para o dólar no fim do ano de R$ 5,40 para R$ 5,50. Ele acredita que Lula será constrangido pela guinada à direita no Congresso e pela necessidade de reduzir juros, mas vê um resultado primário modestamente mais ambicioso sendo discutido.
Já o estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, considera a reação dos investidores à reeleição de Lula como exacerbada e aposta na queda do dólar, com o objetivo de um retorno da taxa de câmbio para R$ 5,30. Ele destaca que o real é sustentado por contas externas sólidas, um choque positivo nos termos de troca e um diferencial de juros elevado.
Riscos e projeções futuras
O estrategista do Société Générale para a América Latina, Brendan McKenna, encerrou posições vendidas em dólar e euro contra o real, mas pode voltar a apostar na moeda brasileira caso haja redução de riscos institucionais. Ele argumenta que a composição conservadora do Congresso pode conter tentativas de expansão fiscal.
O Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para o dólar em três horizontes: três meses (de R$ 4,70 para R$ 5,45), seis meses (de R$ 4,75 para R$ 5,35) e 12 meses (de R$ 4,80 para R$ 5,25). O banco destaca a importância dos próximos passos do governo, como a nomeação do ministro da Fazenda e a aprovação do Orçamento de 2027, para determinar a trajetória do câmbio e incorporar riscos fiscais maiores.
Apesar das projeções revisadas para cima, o Goldman Sachs também indica espaço para uma acomodação da moeda americana ao longo dos próximos meses, com o câmbio podendo se provar o ativo brasileiro de melhor desempenho. Juros reais elevados e reservas cambiais adequadas também são vistos como catalisadores para a recuperação do real.
Matérias originais
- Dólar sobe 10% após eleição; bancos veem exagero e Congresso como contrapeso · infomoney.com.br


