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Disputa bilionária sobre porto no Panamá divide empresários e ambientalistas

22 de outubro de 2026
Disputa bilionária sobre porto no Panamá divide empresários e ambientalistas

Destaques

  • •Um porto de US$ 260 milhões no Panamá, o Puerto Barú, é alvo de disputa entre o bilionário Louis Bacon e o empresário John McKeown.
  • •Ambientalistas temem danos irreversíveis ao ecossistema local, enquanto a Ocean Pacific, empresa de McKeown, defende o projeto como sustentável e benéfico para a economia.
  • •A Suprema Corte do Panamá decidirá o futuro do empreendimento, em um caso que expõe tensões entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental no país.

Uma disputa acirrada entre dois americanos ricos, o bilionário dos fundos de hedge Louis Bacon e o empresário imobiliário John McKeown, está no centro de um conflito sobre a construção de um porto de US$ 260 milhões no oeste do Panamá. O projeto, chamado Puerto Barú e liderado pela empresa de McKeown, Ocean Pacific Investments, visa criar o primeiro porto “verde” do país na costa do Pacífico, ao sul da cidade de David. A proposta promete impulsionar a economia da província de Chiriquí, considerada o celeiro do Panamá, e integrá-la às rotas de comércio com a América do Norte e a Ásia.

A Ocean Pacific descreve o Puerto Barú como um investimento privado histórico para a região, com potencial para gerar mais de 1.100 empregos e atrair turismo. Segundo a empresa, o porto comercial de 124 hectares foi concebido para atender a altos padrões de sustentabilidade, com painéis solares e áreas de conservação. Uma avaliação ambiental, que durou quatro anos e incluiu audiência pública, foi aprovada há dois anos. A empresa afirma que os possíveis impactos ambientais foram amplamente estudados e tratados, e que não opera portos diretamente, planejando parceria com uma operadora especializada.

Conflito ambiental e judicial

Por outro lado, Louis Bacon, dono do resort ecológico Islas Secas, expressa profunda preocupação com o projeto. Ele argumenta que os responsáveis pelo Puerto Barú não possuem experiência em portos comerciais e que a localização é ambientalmente sensível, próxima a manguezais de grande valor ecológico. Seis organizações ambientais panamenhas compartilham dessa visão, alertando que o porto e o tráfego de navios cargueiros causariam danos irreversíveis ao ecossistema local por poluição, movimentação da água e bloqueio da luz solar.

A disputa escalou para a Suprema Corte do Panamá, que analisa a aprovação ambiental do porto após ação contestatória de grupos ambientalistas. A Ocean Pacific reagiu com denúncias e processos nas esferas civil e criminal contra duas dessas entidades, por calúnia, difamação e crimes contra a economia. Pouco depois, as contas bancárias das organizações foram bloqueadas por ordem judicial, dificultando suas operações e levantamento de recursos. Ativistas comparam a situação a ações judiciais estratégicas contra a participação pública (SLAPP), visando intimidar críticos.

Posições e interesses em jogo

Louis Bacon, que fez fortuna com seu fundo de hedge Moore Capital Management e é um grande proprietário de terras com foco em conservação, tem apoiado financeiramente os grupos ambientalistas. Ele pagou os custos jurídicos de uma das organizações afetadas e financiou um estudo de impacto ambiental alternativo, que estimou o custo ambiental do porto em cerca de US$ 30 milhões ao longo de 20 anos. Bacon nega que sua oposição seja para proteger seu resort de luxo, afirmando que seu compromisso com o Panamá é genuíno e que considera abominável usar o sistema judicial como arma contra denunciantes.

John McKeown, por sua vez, tem vínculos pessoais com o Panamá, onde mora parte do ano, e se interessou pelo potencial marítimo de Chiriquí após uma experiência de pesca. Ele tem histórico em conciliar negócios e conservação, tendo participado da criação de uma área úmida protegida na Califórnia. McKeown afirma ter abordado os possíveis impactos ambientais e sugere que a campanha contra o porto pode ter motivações pessoais. Ele também considera inviável a alternativa de transferir o porto para Puerto Armuelles, proposta por Bacon, por ser muito distante das áreas agrícolas.

Próximos passos

O ministro do Meio Ambiente do Panamá, Juan Carlos Navarro, declarou que o ministério é legalmente obrigado a respeitar a aprovação ambiental concedida anteriormente e aguardará a decisão da Suprema Corte. Ele expressou preocupação com a natureza das ações judiciais movidas pela Ocean Pacific, ressaltando a importância da participação cidadã e da sociedade civil na gestão ambiental do país. A decisão da Suprema Corte determinará o futuro do Puerto Barú e o equilíbrio entre desenvolvimento e conservação na região.

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