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Defesa de Daniel Vorcaro alega manipulação de dados de celular apreendido pelo STF

29 de outubro de 2026
Defesa de Daniel Vorcaro alega manipulação de dados de celular apreendido pelo STF

Destaques

  • •Perícia contratada pela defesa de Daniel Vorcaro aponta inconsistências e possíveis manipulações em dados de celular fornecidos pelo STF.
  • •Laudo identifica arquivos criados e modificados após a apreensão do aparelho, além de lacunas na cadeia de custódia.
  • •Defesa pede acesso integral aos dados brutos e logs da ferramenta utilizada pela PF para comprovar a integridade das informações.

A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, contratou um perito que elaborou um laudo apontando diversas inconsistências e possíveis manipulações nos dados do celular do ex-banqueiro fornecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, entregue em 26 de outubro, levanta dúvidas sobre a integridade e a autenticidade das informações extraídas do aparelho, abrindo caminho para que os advogados de Vorcaro sustentem a tese de adulteração.

O perito Marcos Monteiro examinou um HD com arquivos fornecidos pelo STF e identificou lacunas na documentação da cadeia de custódia, o que, segundo ele, impede a verificação da integridade dos dados. O laudo aponta que o material entregue à defesa não permite confirmar se os dados são legítimos e se as modificações ocorreram de forma deliberada ou automática.

Inconsistências na extração e conteúdo modificável

Uma das principais alegações do laudo é a falha da Polícia Federal (PF) em informar a versão do software GrayKey utilizada para a extração dos dados, o que limitaria a compreensão das possíveis restrições da ferramenta. O perito sustenta que o arquivo fornecido pelo STF, com extensão UFDR, é derivado do processamento dos dados extraídos e está sujeito a critérios de seleção e delimitação definidos por quem o gerou.

A defesa de Vorcaro não teve acesso aos arquivos brutos originais do celular, o que seria crucial para comparar com os dados apresentados. O laudo demonstra que o arquivo UFDR admite modificações de forma relativamente simples, sem deixar sinais evidentes de adulteração. Como exemplo, o perito cita a alteração de uma mensagem atribuída a "Darlene Munroe", que passou de "Whataya mean its JB? I’m a little slow today" para "A mercadoria foi entregue hoje!!" após edição direta de um arquivo "report.xml", sem que a mudança fosse facilmente perceptível no arquivo UFDR.

Arquivos criados após a apreensão e lacunas no termo de apreensão

O laudo também identificou a criação e modificação de milhares de arquivos em datas posteriores à prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. Foram registrados 657 arquivos modificados em 18 de novembro de 2025 e 999 entre 18 de novembro de 2025 e 14 de maio de 2026. Entre os mais de 2,1 milhões de arquivos de imagem, 436 (cerca de 0,02%) apresentaram data de modificação posterior à apreensão do dispositivo.

O documento ressalta que, embora não seja possível atribuir tecnicamente a alteração a uma ação humana deliberada, também não se pode classificá-la como automática ou inócua. Foram identificados 94 arquivos de imagem no formato HEIC com datas de criação posteriores à apreensão. As mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, segundo a PF, eram feitas por meio de prints de tela do bloco de notas.

O laudo também aponta falhas no termo de apreensão dos três aparelhos de Vorcaro (um iPhone 17, um iPad Pro e outro smartphone). O documento não descreve detalhes identificadores dos dispositivos, nem o estado em que foram apreendidos (ligado/desligado, bloqueado/desbloqueado) ou se houve isolamento de rede. As fotos do iPad e do iPhone 17 parecem ser a mesma imagem, comprometendo a individualização visual. Os lacres da apreensão foram rompidos em momento não documentado, sem registro fotográfico das embalagens.

Pedido de acesso integral e próximos passos

O relatório não comprova a adulteração, mas afirma que os arquivos fornecidos pelo STF não permitem verificar a legitimidade dos dados e a natureza das alterações. O perito ressalta que não foi possível confirmar de forma independente a correspondência entre os dados extraídos e os arquivos fornecidos para análise.

Diante das inconsistências, a defesa solicita acesso à cópia integral dos dados originalmente extraídos, aos registros técnicos e logs da ferramenta GrayKey, além de informações sobre o método de desbloqueio do iPhone e a documentação completa da cadeia de custódia. Esses elementos são considerados essenciais para esclarecer a origem das alterações e permitir uma análise independente.

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