Data Centers na Europa usam calor residual para aquecer cidades
Destaques
- •Centros de dados na Europa estão reaproveitando o calor residual para aquecimento urbano, com a Alemanha liderando o uso de 13 TWh anuais.
- •A crescente demanda por IA impulsiona a expansão de data centers, que se tornam cada vez mais complexos e interligados às comunidades locais.
- •Novas tecnologias e modelos de gestão, como gêmeos digitais e otimizações em tempo real, buscam aumentar a eficiência e reduzir o impacto ambiental e os custos.
O calor residual gerado por data centers na Europa está sendo cada vez mais aproveitado para abastecer redes de aquecimento urbano, transformando um subproduto industrial em um recurso valioso. Na Alemanha, por exemplo, esses centros de dados convertem anualmente mais de 13 TWh de eletricidade em calor, energia suficiente para suprir as necessidades elétricas de aproximadamente 3,7 milhões de residências. Países como Dinamarca, Suécia e Países Baixos também exploram o potencial dos data centers como "prosumidores", combinando o consumo com a geração de energia.
O Crescente Consumo de Energia e a Demanda por IA
A disseminação da inteligência artificial (IA) tem impulsionado o consumo de energia dos data centers, que se tornam um dos setores de maior crescimento nesse quesito. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo desses centros de dados poderá dobrar até 2030. Essa expansão, aliada a preocupações públicas sobre custos e meio ambiente, tem levado a um debate mais intenso sobre a sustentabilidade e a integração dessas instalações com as comunidades.
A demanda por capacidade de data centers, especialmente para atender empresas, deve aumentar significativamente nos próximos cinco anos, segundo a Goldman Sachs Research. Novos complexos estão sendo planejados com uma complexidade operacional e interdependência com as comunidades que os assemelham a instalações industriais de grande porte, exigindo planejamento cuidadoso para maximizar o impacto positivo e minimizar o negativo nas regiões onde se localizam.
Integração e Eficiência com Novas Tecnologias
A localização e as estratégias de resfriamento de novos data centers precisam ser compatíveis com as condições regionais, como a capacidade da rede elétrica e a disponibilidade de água. Projetos em escala gigawatt devem demonstrar como se integram ao cenário local de energia e clima. Paralelamente, o setor investe em soluções para contornar gargalos de conexão à rede elétrica, com mais de 130 GW em recursos energéticos colocalizados anunciados nos EUA.
O uso de gêmeos digitais, modelos virtuais de instalações, está revolucionando o planejamento e a construção. Essa abordagem, comprovada no setor de Engenharia, Suprimentos e Construção (EPC), permite que equipes multidisciplinares visualizem o funcionamento da nova instalação antes mesmo de sua construção, otimizando o design 3D, a montagem e a operação. A empresa brasileira AP Consultoria e Projetos, por exemplo, reduziu prazos de entrega em 49% e retrabalho em 29% ao utilizar essas tecnologias.
Resiliência e Licença Social para Operar
Em um cenário de disrupções e custos de energia voláteis, a resiliência tecnológica é crucial. Empresas que aliam planejamento estratégico à flexibilidade operacional e IA têm maior probabilidade de crescimento de receita. A inteligência industrial, com visibilidade em tempo real do consumo de energia e refrigeração, permite ajustes constantes e proativos, evitando falhas e otimizando o uso de recursos. O PayPal é um exemplo de como a integração de milhões de pontos de dados melhora o monitoramento e a previsão de capacidade.
A gestão eficiente de data centers, com otimizações em tempo real, reduz o consumo de energia e água, diminuindo o impacto ambiental e os custos operacionais. Isso fortalece a "licença social para operar", tornando a instalação um "vizinho melhor" para a comunidade. Embora a expansão da capacidade seja necessária, operações mais otimizadas podem prolongar a vida útil dos sistemas existentes e dar tempo para aprovações de novos projetos.
Regulamentações como a da Alemanha, que exige um PUE (Eficiência no Uso de Energia) de 1,2 ou inferior para novos data centers, incentivam a adoção de práticas mais sustentáveis. A IEA estima que a IA, com a superação de barreiras de adoção, poderia economizar mais de 13 exajoules (EJ) de energia até 2035 globalmente. A inteligência industrial é a chave para alcançar essas metas e garantir a convivência harmoniosa entre a infraestrutura digital e as comunidades.
Matérias originais
- Data centers podem ser bons vizinhos? · tiinside.com.br


