Cury prioriza fluxo de caixa e dividendos em detrimento de crescimento agressivo

Destaques
- •Construtora Cury ajusta estratégia para focar em geração de caixa livre e dividendos, com cautela em novos lançamentos.
- •Administração da empresa vê o programa Minha Casa, Minha Vida como seguro contra mudanças políticas, mas a redução da jornada de trabalho é um desafio.
- •Analistas do BTG Pactual mantêm recomendação de compra para as ações da Cury, com preço-alvo de R$ 42.
A incorporadora Cury (CURY3) mudou sua estratégia para priorizar a geração de fluxo de caixa livre (FCF) em vez de crescimento a qualquer custo. A decisão, que visa manter altos níveis de distribuição de dividendos, foi comunicada por executivos da empresa em reunião com analistas do BTG Pactual.
A administração da Cury considera que o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que representa cerca de 95% do portfólio da companhia, está protegido de eventuais mudanças governamentais. Segundo o CEO Leonardo Mesquita e o diretor de RI Ronaldo Cury, o programa habitacional para baixa renda é compreendido pela oposição e conta com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) assegurados para os próximos anos.
Cautela com lançamentos e desafios regulatórios
Apesar da confiança no MCMV, a Cury adotará uma postura mais cautelosa em sua estratégia de crescimento. Novos lançamentos só ocorrerão a partir de 2027, e somente se a velocidade de vendas se mantiver saudável, sem acúmulo de estoques, e se a expansão não comprometer a geração de fluxo de caixa livre.
Um dos desafios apontados é a redução da jornada de trabalho após o fim da escala 6x1, que ainda gera incertezas sobre sua implementação e pode impor novos custos ao setor. A companhia, no entanto, acredita que suas provisões para inflação são suficientes para absorver pressões adicionais.
Crédito mais rigoroso e adaptação da Cury
A gestão da construtora também observou um rigor maior da Caixa Econômica Federal na aprovação de crédito desde junho, especialmente em regiões como o Rio de Janeiro e para clientes de renda informal. Empréstimos sem garantia concedidos pelas empresas também estão sob análise mais apertada.
Em resposta, a Cury adaptou seus processos comerciais para melhorar a classificação de risco de sua carteira de clientes e aumentar o volume de informações sobre os compradores. A expectativa é que essas mudanças elevem as taxas de conversão de vendas e reduzam os cancelamentos.
Perspectivas e recomendações do BTG Pactual
O BTG Pactual mantém recomendação de compra para as ações da Cury, com preço-alvo de R$ 42. Atualmente, os papéis (CURY3) são negociados na faixa dos R$ 32, com alta acumulada de 12,8% nos últimos 30 dias.
Os dividendos da Cury representam um yield anualizado de aproximadamente 13%, com R$ 4,1450 pagos por ação ordinária nos últimos 12 meses. Os papéis negociam a cerca de 9 vezes preço/lucro (P/L).
As projeções do BTG Pactual para a Cury incluem receita líquida de R$ 6,807 bilhões, EBITDA de R$ 1,616 bilhão e lucro líquido de R$ 1,221 bilhão. O dividend yield projetado é de 6,8%, com dividendos líquidos por ação de R$ 2,23.



