CSN fecha acordo de exclusividade com chinesa Huaxin para vender CSN Cimentos por R$ 12,7 bi

Destaques
- •CSN assina acordo de exclusividade de 10 dias com a chinesa Huaxin para vender CSN Cimentos.
- •Negócio avaliado em R$ 12,7 bilhões de enterprise value visa reduzir o endividamento da CSN, que fechou o 2º trimestre com dívida líquida de R$ 42,1 bilhões.
- •A venda da unidade de cimentos é parte de um plano de desinvestimentos que já incluiu a venda da siderúrgica alemã SWT e mudanças na gestão da companhia.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta sexta-feira (30) a celebração de um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group para a venda da CSN Cimentos. O acordo tem duração de dez dias e visa a assinatura dos documentos definitivos da transação, que está avaliada em R$ 12,7 bilhões de enterprise value (valor da empresa, que considera a dívida a ser assumida pelo comprador).
A Huaxin foi escolhida por apresentar a proposta mais vantajosa em um processo competitivo iniciado em março de 2026. A venda da unidade de cimentos é uma peça chave no plano de desinvestimentos da CSN, que busca reduzir seu endividamento. No segundo trimestre de 2026, a dívida líquida da companhia somava R$ 42,1 bilhões, com alavancagem de 3,49 vezes.
Desalavancagem e desinvestimentos
A estratégia da CSN de se desfazer de ativos não essenciais visa levantar caixa para abater a dívida e otimizar sua estrutura de capital. A venda da CSN Cimentos é considerada o principal passo nesse plano. A companhia já havia recebido propostas de outras empresas, como Votorantim e Polimix, que variavam em torno de R$ 11 bilhões, valores inferiores aos R$ 13 a R$ 14 bilhões inicialmente buscados pela CSN.
Este é o segundo grande negócio da CSN em poucas semanas. No início de outubro, a empresa vendeu a siderúrgica alemã Stahlwerk Thüringen (SWT) ao grupo espanhol Megasa por € 550 milhões. A transação da SWT foi realizada por meio da CSN Steel, divisão espanhola da empresa, e teve um período de exclusividade de dez semanas.
Mudanças na gestão e cenário financeiro
As iniciativas de desinvestimento ocorrem em um contexto de mudanças na alta cúpula da CSN. Em setembro, Benjamin Steinbruch encerrou um ciclo de 24 anos como CEO, assumindo a presidência do conselho de administração. Fábio Schvartsman, ex-CEO da Vale, foi nomeado para o cargo de CEO com a missão de liderar os esforços de redução de endividamento.
Steinbruch destacou que a venda da CSN Cimentos era uma das frentes mais adiantadas para a desalavancagem, com a expectativa de conclusão até novembro. A necessidade de reduzir a dívida e o custo financeiro é reforçada por analistas. Luca Vello, analista de ações da Genial Investimentos, aponta que a diversificação de negócios da CSN (siderurgia, mineração, cimentos e infraestrutura) exige alto capital e, combinada ao endividamento, penaliza a companhia.
O cenário financeiro da CSN também tem sido monitorado por agências de risco. Recentemente, a S&P reduziu a nota de crédito da empresa de "B" para "B-", com perspectiva negativa, citando resultados mais fracos na mineração e alavancagem elevada.
Próximos passos
A CSN informou que manterá o mercado atualizado sobre os desdobramentos das negociações com a Huaxin. O acordo de exclusividade tem prazo de dez dias, o que sugere uma possível assinatura dos documentos definitivos em breve, dependendo do avanço das tratativas.
Matérias originais
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