CSN anuncia acordo de exclusividade para vender CSN Cimentos por R$ 12,7 bilhões

Destaques
- •CSN assina acordo de exclusividade com chinesa Huaxin para venda da CSN Cimentos por R$ 12,7 bilhões.
- •A transação é vista como positiva para a desalavancagem da empresa, mas o valor ficou na parte inferior das expectativas do mercado.
- •A CSN busca reduzir seu endividamento em um cenário desafiador para a siderurgia e o minério de ferro.
A CSN (CSNA3) avançou no processo de venda de sua subsidiária de cimentos, a CSN Cimentos, anunciando na última sexta-feira (30) um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group. O acordo, com prazo de dez dias, contempla um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões para a transação. As ações da CSN chegaram a subir 5,93% no pregão desta terça-feira (3), impulsionadas pela notícia.
O anúncio ocorre poucas semanas após a CSN firmar um acordo para vender sua operação siderúrgica na Alemanha, a Stahlwerk Thüringen (SWT), para o grupo espanhol Megasa, por um enterprise value de 550 milhões de euros (cerca de R$ 3,1 bilhões). Somadas, as duas transações representam um valor de aproximadamente R$ 15,8 bilhões em enterprise value anunciado, embora o valor líquido a ser recebido pela CSN dependa de ajustes de dívida e dos termos finais.
Desalavancagem e expectativas de mercado
Analistas do BTG Pactual consideram o anúncio um fato construtivo para a CSN, pois aumenta a visibilidade sobre a estratégia de desalavancagem da administração. No entanto, o banco aponta que o valuation de R$ 12,7 bilhões ficou na parte inferior das expectativas informais do mercado, que variavam entre R$ 12 a R$ 15 bilhões, o que limita o potencial de surpresa positiva.
Apesar disso, a transação é considerada relevante frente à dívida líquida de R$ 42,1 bilhões da CSN ao final do segundo trimestre de 2026. O Citi também avalia positivamente o avanço na venda do ativo, destacando sua importância para o processo de redução do endividamento da companhia.
Cenário desafiador e próximos passos
O Citi, no entanto, pondera que, diante do atual cenário de juros mais elevados no Brasil e das revisões para baixo nas estimativas da CSN Mineração, a empresa continuará buscando reduzir seu nível de endividamento e fortalecer seu balanço patrimonial. A recomendação do banco para a CSN é neutra.
O BTG Pactual reforça que, mesmo com a concretização da venda da CSN Cimentos, a venda de outros ativos continuará sendo necessária, dado o cenário operacional desafiador. A CSN possui um portfólio de ativos potencialmente monetizáveis, incluindo negócios operacionais em minério de ferro e infraestrutura, além de ativos não operacionais.
Os analistas esperam que a administração mantenha o foco nessas oportunidades para dar suporte adicional à desalavancagem nos próximos trimestres. Os anúncios recentes indicam um avanço no reposicionamento estratégico da companhia após a chegada de Fabio Schvartsman como CEO, mas a capacidade de execução e o timing permanecem incertezas importantes.
Entre os desafios da CSN, estão o ambiente competitivo difícil na siderurgia brasileira e a pressão adicional sobre a rentabilidade do minério de ferro devido a fretes elevados e uma dinâmica de mercado mais fraca. Esses fatores adversos devem pesar sobre os resultados e a geração orgânica de caixa, tornando a monetização de ativos um componente cada vez mais crucial da tese de investimento.



