Cosan e Raízen fecham acordo tributário de R$ 22,4 bilhões com a União
Destaques
- •Cosan e Raízen firmam acordo tributário de R$ 22,4 bilhões com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal.
- •O acordo prevê um desconto de R$ 8,5 bilhões em multas e juros, com a Raízen quitando R$ 8,2 bilhões através de prejuízos fiscais e pagamento à vista de R$ 2,5 bilhões.
- •A transação era uma condição precedente para o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que visa reestruturar R$ 61,4 bilhões em dívidas.
A Cosan (CSAN3) e sua controlada Raízen (RAIZ4) anunciaram um acordo tributário com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal do Brasil, no montante de R$ 22,4 bilhões. Deste total, R$ 16,7 bilhões são de responsabilidade da Raízen e R$ 5,7 bilhões estão vinculados aos acionistas controladores, Cosan e Shell.
O acordo prevê um desconto de R$ 8,5 bilhões em multas e juros sobre a parcela da Raízen. A companhia quitará R$ 8,2 bilhões utilizando R$ 5,7 bilhões em prejuízos fiscais acumulados e um pagamento à vista de R$ 2,5 bilhões. A forma de quitação da parcela dos controladores não foi detalhada.
Condição para Recuperação Extrajudicial
O acordo tributário era uma condição precedente para o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que busca reestruturar cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras. A homologação deste plano pela Justiça de São Paulo ocorreu em julho de 2026. A negociação com a União é considerada a maior transação tributária desde a regulamentação desse tipo de acordo no Brasil, há seis anos.
Impacto para a Cosan
Para a Cosan, o acordo implica uma saída líquida de caixa de aproximadamente R$ 200 milhões, cerca de 2% do seu valor de mercado. No entanto, a transação elimina cerca de R$ 3,2 bilhões em contingências tributárias federais sob responsabilidade econômica da companhia, das quais R$ 3,0 bilhões eram classificadas como perdas possíveis. A XP Investimentos avaliou o acordo como neutro para a Cosan, destacando a eliminação de passivos.
Próximos Passos
O plano de recuperação extrajudicial da Raízen, destravado pelo acordo tributário, deve avançar até março. A recuperação extrajudicial prevê a conversão de 45% das dívidas em ações e o refinanciamento do restante com prazos mais longos.



