Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes de juros

Destaques
- •Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
- •Decisão interrompe ciclo de flexibilização monetária e reflete piora nas expectativas de inflação e incertezas fiscais.
- •Banco Central seguirá acompanhando cenário para manter restrição adequada e convergir inflação à meta.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão, anunciada após a 282ª reunião do comitê, interrompe o ciclo de flexibilização monetária iniciado em março e atende às expectativas do mercado, que haviam mudado após o segundo turno da eleição presidencial. Antes da votação, a maior parte dos agentes esperava um novo corte de 0,25 ponto percentual, mas a manutenção passou a ser o cenário principal.
Cenário desafiador para a política monetária
O Comunicado do Copom justifica a pausa com um cenário “desafiador para a política monetária”, que exige “serenidade e cautela”. O texto afirma que o Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário para “manter a restrição adequada” e assegurar a convergência da inflação à meta. Segundo o Comunicado, as expectativas de inflação para 2026 e 2027 se distanciaram adicionalmente da meta, atingindo 5,2% e 4,8%, respectivamente. Em setembro, estavam em 4,9% e 4,3%. Josias Bento, especialista em mercado de capitais, destacou a piora das expectativas de inflação como o ponto mais preocupante.
A mudança no humor do mercado é refletida no Boletim Focus, pesquisa semanal do BC. A edição mais recente mostra piora nas expectativas para inflação, juros e câmbio para os anos de 2026 a 2029. Na inflação, a projeção para 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, acima do teto da meta. Para 2027, a estimativa passou de 4,3% para 4,76%, acima do limite de tolerância. No câmbio, a estimativa para o dólar em 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34.
Riscos e incertezas elevam cautela
O Comunicado detalha a piora do quadro de preços, com a inflação cheia e as medidas subjacentes “aceleraram” e se situam “acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta”. A projeção do Copom para o segundo trimestre de 2028 elevou-se para 3,5%, com a incorporação de choques de oferta desde a última reunião. Os riscos para a inflação permanecem “mais elevados que o usual, com assimetria altista”.
Entre os riscos de alta, o texto cita a desancoragem das expectativas, a resiliência da inflação de serviços, uma “taxa de câmbio persistentemente mais depreciada” e estímulos ao consumo. Os riscos de baixa incluem desaceleração da atividade doméstica, desaceleração global e queda dos preços das commodities. Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, ressalta que o cenário externo se tornou mais adverso com o prolongamento da guerra, e que a incerteza fiscal pressiona a inflação e os juros futuros.
Próximos passos e impacto no mercado
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, avalia que a decisão veio em linha com o esperado, com o Federal Reserve (Fed) mantendo os juros nos EUA e o petróleo impactando a inflação global. Raphael Vieira, head de Investimentos da Arton Advisors, afirma que a manutenção da Selic já estava precificada e que a deterioração das expectativas de inflação e o aumento das incertezas externas limitam o espaço para retomar os cortes.
Vieira avalia que o Banco Central deve manter a Selic nesse patamar por mais tempo, até haver sinais consistentes de desinflação e reancoragem das expectativas. O tom cauteloso do Comunicado tende a manter a pressão sobre os juros futuros e limitar o desempenho dos ativos de risco. O Comitê também acompanha como a política fiscal doméstica afeta a política monetária e os ativos financeiros, “reforçando a postura de cautela”.
Matérias originais
- Análise: Copom Confirma Projeções e Divulga Comunicado Cauteloso · forbes.com.br
- Copom Mantém Selic em 13,75% Diante de Incertezas Fiscais após Eleição · forbes.com.br
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