Combinação de medicamentos melhora sintomas de Parkinson em camundongos
Destaques
- •Nova terapia experimental em camundongos com Parkinson mostrou melhora nos movimentos.
- •A combinação de GBT601 e PT2399 reduz a oferta de oxigênio nos tecidos cerebrais.
- •Estudo publicado na PNAS abre caminho para futuras pesquisas em humanos, mas eficácia ainda não é comprovada.
Uma combinação experimental de dois medicamentos, GBT601 e PT2399, demonstrou melhorar significativamente os movimentos de camundongos que apresentavam alterações semelhantes às da doença de Parkinson. A estratégia busca replicar os efeitos do ar rarefeito de montanhas, reduzindo a quantidade de oxigênio que chega aos tecidos, incluindo o cérebro. Os resultados promissores foram publicados em nove de outubro na revista científica PNAS.
O tratamento foi iniciado em animais que já exibiam dificuldades motoras. Após a administração dos compostos, os camundongos mostraram uma melhora notável em testes de avaliação motora, descendo mais rapidamente por uma haste e permanecendo agarrados à tampa de uma gaiola por um período mais longo. Essa melhora motora foi acompanhada pela redução do excesso de oxigênio cerebral e de um marcador de danos às gorduras no tecido.
Como a terapia funciona
A proposta terapêutica parte de um desequilíbrio associado ao funcionamento das mitocôndrias, as usinas de energia das células. Quando as mitocôndrias não operam adequadamente, a oferta de oxigênio pode exceder a capacidade de utilização, levando a danos teciduais. Na doença de Parkinson, o acúmulo da proteína alfa-sinucleína pode comprometer a função mitocondrial. A equipe de pesquisa buscou, então, uma forma de diminuir a entrega de oxigênio para que ela se aproxime da quantidade que as células conseguem consumir.
A combinação de medicamentos atua de forma complementar: o GBT601 aumenta a capacidade da hemoglobina de reter oxigênio, limitando sua liberação para os tecidos. Já o PT2399 inibe a resposta compensatória do corpo, que poderia levar à produção excessiva de glóbulos vermelhos e, consequentemente, ao aumento do transporte de oxigênio.
O que é a doença de Parkinson
A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina. Esse processo afeta diferentes áreas do cérebro, resultando em sintomas como tremores involuntários, rigidez muscular, lentidão de movimentos e instabilidade postural. Em estágios avançados, pode também impactar a produção de acetilcolina, neurotransmissor crucial para memória, aprendizado e sono.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), embora a doença seja mais comum em idosos, uma parcela de 10% a 15% dos diagnosticados tem menos de 50 anos. Em casos de Parkinson juvenil, a causa é frequentemente genética, com progressão mais lenta dos sintomas e maior expectativa de vida.
Próximos passos e limitações
Para induzir alterações semelhantes às do Parkinson nos camundongos, os cientistas injetaram agregados de alfa-sinucleína no cérebro dos animais. O tratamento com a combinação de medicamentos foi administrado diariamente por via oral durante seis semanas, após um período inicial de seis semanas com os sintomas já presentes. Os pesquisadores observaram que, embora a terapia tenha melhorado a função motora e reduzido o excesso de oxigênio cerebral, não houve melhora em um comportamento semelhante à ansiedade.
É importante ressaltar que os achados demonstram efeitos positivos em modelos animais, mas ainda não estabelecem a eficácia da combinação para tratar pacientes humanos com Parkinson. Os pesquisadores também não identificaram sinais de hipertensão pulmonar nos animais de controle, uma complicação potencial da exposição prolongada a baixos níveis de oxigênio. Novas avaliações serão necessárias para determinar a segurança e eficácia em humanos.



