Combinação de imunoterapias reduz risco de morte em 58% em câncer de pulmão

Destaques
- •Nova terapia combinada demonstrou redução significativa de 58% no risco de morte para pacientes com câncer de pulmão de pequenas células em estágio avançado.
- •Estudo de fase 3 apresentou sobrevida global mediana de 21,1 meses com a combinação, contra 12,7 meses com tratamento padrão.
- •Resultados preliminares sugerem um novo padrão de tratamento, com acompanhamento contínuo para avaliar o benefício a longo prazo.
Uma combinação de duas imunoterapias reduziu em 58% o risco de morte de pacientes com câncer de pulmão de pequenas células em estágio avançado, uma das formas mais agressivas da doença. Os resultados do estudo de fase 3 DeLLphi-305, apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, foram recebidos com grande entusiasmo pela comunidade médica.
A pesquisa avaliou a adição da imunoterapia tarlatamabe ao durvalumabe como tratamento de manutenção, administrado após a quimioterapia inicial. A sobrevida global mediana, que indica o tempo em que metade dos pacientes permanece viva, atingiu 21,1 meses no grupo que recebeu a combinação, em comparação com 12,7 meses no grupo tratado apenas com durvalumabe. Essa diferença de 8,4 meses se traduziu em uma redução de 58% no risco de morte, medida pelo hazard ratio (HR) de 0,42.
Um novo padrão de tratamento?
O oncologista Jacob Sands, em coletiva de imprensa, afirmou que os resultados devem estabelecer um novo padrão de tratamento para o câncer de pulmão de pequenas células, especialmente no uso da combinação como primeira linha de manutenção.
O câncer de pulmão de pequenas células representa de 10% a 15% dos casos de câncer pulmonar e é conhecido por seu crescimento e disseminação rápidos. Embora a quimioterapia inicial muitas vezes funcione, a doença frequentemente progride, tornando crucial a busca por tratamentos que prolonguem o controle do tumor.
Resultados além da sobrevida
Além de prolongar a sobrevida, a combinação tarlatamabe e durvalumabe demonstrou um aumento significativo no tempo sem progressão da doença. A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 7,4 meses com a combinação, contra 1,9 mês no grupo controle, o que representa uma redução de 66% no risco de progressão ou morte.
A taxa de resposta objetiva, que mede a redução do tumor, também foi superior, alcançando 26,4% no grupo de tratamento combinado, ante 4,1% no grupo controle. O oncologista Jacob Sands destacou a magnitude da diferença observada, classificando como "extraordinário" o fato de 38% dos pacientes tratados com a combinação permanecerem sem progressão após um ano.
Como funciona a combinação
O durvalumabe é uma imunoterapia que atua bloqueando a proteína PD-L1, um mecanismo que alguns tumores utilizam para evadir o sistema imunológico. Ao inibir essa via, o medicamento auxilia as defesas do corpo a identificar e combater as células cancerígenas.
Já o tarlatamabe é um anticorpo biespecífico. Sua função é aproximar os linfócitos T, células de defesa com capacidade de destruir tumores, das células cancerígenas que expressam a proteína DLL3. Essa aproximação facilita o reconhecimento e a eliminação das células tumorais pelo sistema imunológico.
Os dados apresentados são preliminares em relação à sobrevida final, com um acompanhamento mediano de cerca de 16 meses. Pesquisadores enfatizam a importância de monitorar futuras atualizações para compreender a extensão do benefício a longo prazo.



