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Colonus israelenses intensificam roubos e violência contra colheita de azeitonas palestinas

22 de outubro de 2026

Destaques

  • •Aumento drástico na violência e roubos de azeitonas por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada.
  • •Palestinos temem represálias ao tentar colher suas próprias azeitonas, com relatos de agressões e saques.
  • •A escalada ocorre às vésperas de eleições em Israel, com debates internos sobre a conduta dos colonos.

A colheita de azeitonas na Cisjordânia ocupada tem sido marcada por um aumento alarmante na violência e roubos perpetrados por colonos israelenses, segundo relatos de palestinos, grupos de direitos humanos israelenses e a ONU. Famílias palestinas que tradicionalmente se reúnem para colher as azeitonas de suas plantações, passadas de geração em geração, enfrentam intimidação, agressões físicas e o furto generalizado de suas colheitas. O incidente mais recente relatado envolveu o palestino Ahmed Salem, que viu colonos levarem suas azeitonas e processá-las em azeite em um posto avançado próximo, sem que ele pudesse intervir por medo de represálias.

Aumento da violência e roubos

Nos últimos anos, e especialmente neste ano, a violência e os roubos de azeitonas por colonos se tornaram generalizados. De acordo com o grupo de direitos israelense Yesh Din, foram registradas 125 agressões físicas contra colhedores palestinos e 168 incidentes de roubo de colheitas nos primeiros 24 dias da safra. Em pelo menos um quarto desses casos, as forças militares israelenses estavam presentes, mas não intervieram para impedir os atos.

Ahmed Salem, de 50 anos, descreveu o temor de ser atacado caso tentasse proteger suas azeitonas. Ele relatou que os colonos colocaram suas azeitonas em sacos e as levaram para uma instalação de processamento de azeite próxima. O casal que reside no posto avançado onde a instalação está localizada recusou pedidos de comentário da Reuters.

Restrições de acesso e impunidade

O estabelecimento de centenas de postos avançados de colonos sob o governo de Benjamin Netanyahu desde 2022 tem levado as Forças Armadas de Israel a restringir cada vez mais o acesso dos palestinos a áreas próximas, incluindo muitos olivais. Ziv Stahl, diretor executivo do Yesh Din, explicou que essa situação impede os palestinos de acessar suas terras e colher suas árvores, enquanto os colonos podem circular livremente.

Um oficial militar israelense afirmou que atos de violência e atividades criminosas são levados a sério, mas não comentou especificamente os relatos de roubo de azeitonas na presença militar. Em alguns casos, as forças israelenses também removeram árvores com escavadeiras, alegando a necessidade de prevenir ataques palestinos.

Reações divergentes e contexto político

A remoção das azeitonas palestinas gerou reações distintas entre rabinos israelenses. Enquanto alguns, como Zev Weitman, do assentamento de Alon Shvut, classificam o ato como roubo e proibido pela lei judaica, outros, como o rabino Dov Lior, defendem que os colonos deveriam colher em toda a Cisjordânia, argumentando que os palestinos não têm direitos de propriedade sobre a terra e que a colheita cumpre um mandamento de conquista.

A intensificação dos ataques ocorre às vésperas das eleições israelenses, onde pesquisas indicam que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua coalizão pró-colonos podem perder para adversários com uma postura mais crítica em relação à violência dos colonos. A colheita da azeitona, que começa com o tempo mais fresco, é um momento tradicional de reunião familiar para os palestinos.

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