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Cientistas do CERN detectam sinais em escala 100 bilhões de vezes menor que um átomo

05 de novembro de 2026
Cientistas do CERN detectam sinais em escala 100 bilhões de vezes menor que um átomo

Destaques

  • •Pesquisadores do CERN, liderados por cientistas de Cambridge, detectaram sinais em uma escala de zeptômetros, 100 bilhões de vezes menor que um átomo.
  • •A descoberta, feita no Grande Colisor de Hádrons (LHC), pode auxiliar no desenvolvimento de uma nova teoria sobre o funcionamento do Universo e na detecção de matéria escura.
  • •Cortes no financiamento do Reino Unido para a modernização do detector LHCb levantam preocupações sobre a participação do país em futuras descobertas científicas.

Cientistas detectaram sinais na menor escala da natureza já explorada, 100 bilhões de vezes menor que um átomo, em um mundo tão pequeno que foi apelidado de zeptoverso. A descoberta foi realizada por uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, a partir de experimentos no Grande Colisor de Hádrons (LHC), instalado na Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), na fronteira entre a Suíça e a França. O LHC provoca colisões de alta energia entre partículas para fragmentá-las e estudar seus componentes internos.

Explorando o Zeptoverso

O resultado é considerado importante por poder ajudar pesquisadores a desenvolver uma teoria nova e mais completa sobre o funcionamento do Universo. A matéria escura, um dos maiores mistérios da ciência, constitui cerca de 25% da energia total do universo e não interage com a luz, sendo detectada apenas por seus efeitos gravitacionais. A pesquisa analisou o material liberado em colisões de alta energia, focando em partículas como o quark beauty (ou quark bottom), que decai em frações de segundo.

Apesar de sua existência efêmera, os cientistas conseguiram detectar a interação do quark beauty com outras partículas minúsculas em uma escala de um sextilionésimo de metro. Teorias sugerem que, nessas escalas, as partículas são mais sensíveis à matéria escura, o que poderia influenciar o comportamento dos quarks e auxiliar na sua identificação.

Investimento e Incertezas no Financiamento

O físico Harry Cliff, da Universidade de Cambridge, que liderou a análise dos dados, afirmou que a equipe está "batendo às portas desse zeptoverso" e que a pesquisa permite observar de perto o comportamento de possíveis novas partículas. Para aprofundar a exploração, os 28 países participantes do projeto concordaram em investir 150 milhões de libras (cerca de R$ 1,1 bilhão) na modernização do detector LHCb, o que aumentaria em dez vezes a frequência de registro de decaimentos.

No entanto, a Agência de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI) anunciou cortes no financiamento de vários projetos de física de partículas e astronomia, incluindo a parcela destinada à modernização do LHCb. Essa decisão levanta dúvidas sobre a participação plena do Reino Unido nos próximos estudos.

Impacto na Carreira Científica

Tim Gershon, professor que coordena a colaboração científica internacional do LHCb, alertou que o Reino Unido corre o risco de ficar de fora de descobertas importantes e de perder os benefícios da formação de jovens pesquisadores. A pesquisadora Mary Richardson-Slipper, integrante da equipe, está considerando buscar trabalho no exterior devido à falta de oportunidades no Reino Unido, relatando que muitos colegas já se mudaram.

A UKRI afirmou que o Reino Unido continua envolvido no CERN, sendo o segundo maior financiador com uma contribuição anual de cerca de 175 milhões de libras (aproximadamente R$ 1,3 bilhão). A agência justificou os cortes como parte de uma reorientação para um conjunto promissor de novos investimentos em infraestrutura, mas reconheceu ter recebido mais propostas de financiamento do que pôde apoiar.

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