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Cientistas criam método para prever confiabilidade de alertas El Niño/La Niña

23 de outubro de 2026
Cientistas criam método para prever confiabilidade de alertas El Niño/La Niña

Destaques

  • •Nova pesquisa publicada na Science Advances permite avaliar a confiabilidade de previsões climáticas com até um ano de antecedência.
  • •Previsões iniciadas em condições de La Niña mostraram maior acerto em longo prazo, enquanto condições neutras geraram menor confiabilidade.
  • •A descoberta pode aprimorar sistemas de alerta, dando mais tempo para preparação contra eventos climáticos extremos como secas e enchentes.

Cientistas identificaram uma nova maneira de avaliar a confiabilidade de previsões sobre os fenômenos climáticos El Niño e La Niña com até um ano de antecedência. A descoberta, publicada na revista Science Advances, pode aprimorar os alertas sobre eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, e dar mais tempo para que comunidades e autoridades se preparem.

O estudo analisou mais de 7,5 mil previsões históricas de modelos climáticos de nove países. Os pesquisadores observaram que as condições do Oceano Pacífico no momento em que uma previsão é iniciada têm influência significativa em sua confiabilidade meses depois. O resultado mais notável foi que previsões iniciadas durante condições de La Niña apresentaram bom desempenho mesmo ao tentar antecipar o comportamento do sistema climático um ano à frente. Em contraste, previsões que começaram em condições neutras foram consideravelmente menos confiáveis.

Como funciona a previsão de confiabilidade

O El Niño e a La Niña são fases opostas do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), um padrão climático natural associado a mudanças na temperatura das águas superficiais do Pacífico tropical. Essas alterações afetam a circulação atmosférica e podem modificar padrões de chuva e temperatura globalmente. Geralmente, esses eventos atingem seu pico em dezembro e podem ser previstos com confiança cerca de seis meses antes, mas a antecipação por períodos mais longos ainda é um desafio.

A pesquisa sugere que a observação do estado inicial do oceano pode ajudar a distinguir quais previsões têm maior probabilidade de acerto e quais exigem mais cautela. Segundo Mandy Freund, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Melbourne, o desempenho consistente das previsões iniciadas durante a La Niña indica que essas condições tornam o sistema do Pacífico tropical mais previsível ao longo do ano seguinte.

Impacto da inteligência artificial e próximos passos

Os pesquisadores também notaram diferenças no desempenho dos métodos de previsão dependendo das condições climáticas iniciais. Modelos tradicionais baseados em processos físicos tiveram mais dificuldade em prever a evolução do fenômeno quando as simulações começaram em condições neutras. Nesses cenários, métodos estatísticos e modelos de aprendizado de máquina podem oferecer oportunidades para melhorar os resultados.

No entanto, a pesquisa não significa que os cientistas já conseguem prever com precisão todos os eventos de El Niño ou La Niña com um ano de antecedência. A abordagem ainda precisa ser desenvolvida antes de ser incorporada aos sistemas operacionais das agências de previsão climática. Nandini Ramesh, autora principal do estudo e pesquisadora da agência científica australiana CSIRO, afirmou que os resultados podem ajudar a identificar antecipadamente quais previsões merecem maior confiança, permitindo a divulgação de alertas mais cedo.

Mais tempo para se preparar para eventos extremos

O El Niño e a La Niña podem alterar padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo, aumentando o risco de impactos como secas, enchentes e ondas de calor. Antecipar esses fenômenos com maior confiabilidade pode auxiliar governos, serviços de emergência e comunidades a planejar medidas de prevenção, preparar recursos e reduzir riscos.

Os pesquisadores ressaltam que ainda há etapas a serem cumpridas antes que a descoberta seja aplicada diretamente às previsões do dia a dia. Mesmo assim, o estudo oferece um caminho promissor para aprimorar os sistemas de alerta e ampliar o tempo disponível para a preparação diante de mudanças climáticas sazonais.

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