Chiquita alerta para aumento de preços de bananas em 2027

Destaques
- •Presidente da Chiquita Brands International prevê 2027 como o ano mais difícil para o setor em décadas.
- •El Niño e conflito no Oriente Médio elevam custos de produção e transporte, ameaçando estabilidade de preços.
- •Negociações com varejistas focam em garantia de fornecimento, mas aumentos de preço são esperados.
A Chiquita Brands International, uma das maiores comercializadoras de bananas do mundo, alertou que os consumidores podem enfrentar aumentos de preço da fruta em 2027. Segundo Carlos López Flores, presidente-executivo da empresa, o setor enfrenta condições climáticas extremas exacerbadas pelo fenômeno El Niño e turbulências geopolíticas, que elevam os custos de produção e transporte. A expectativa é que o próximo ano seja o mais desafiador para a indústria em décadas, com previsão de venda de menos bananas a um custo mais elevado.
Impacto do El Niño e conflitos globais
O fenômeno El Niño tem provocado chuvas intensas em regiões produtoras como Equador e Peru, podendo agravar doenças em plantas, danificar lavouras e prejudicar a infraestrutura de transporte. Simultaneamente, a seca causada pelo El Niño pode afetar o nível de água do Canal do Panamá, uma rota logística crucial. Paralelamente, o conflito no Oriente Médio já elevou os custos de combustível, fertilizantes e embalagens, despesas que as empresas têm dificuldade em repassar aos clientes.
Esses fatores combinados tornam o cultivo de bananas na América Latina, principal região exportadora, mais difícil, caro e imprevisível, conforme relatado por produtores locais. A indústria, que gerou US$ 12,8 bilhões em receitas de exportação em 2025, opera com margens de lucro apertadas, necessitando garantir o fornecimento contínuo e o transporte rápido da fruta.
Perspectivas para o consumidor e o mercado
Apesar de as bananas terem escapado da volatilidade de preços observada em outros alimentos globais nos últimos anos, a situação pode mudar. Os preços médios nos Estados Unidos, por exemplo, foram de cerca de US$ 0,66 por libra no mês passado, menos da metade do cobrado por laranjas. No entanto, a Chiquita já iniciou negociações preliminares com varejistas sobre contratos de fornecimento e preços para o próximo ano. As conversas, até o momento, têm focado mais na garantia de fornecimento do que em aumentos imediatos.
O executivo da Chiquita, empresa com sede na Suíça e pertencente à brasileira Sucocitrico Cutrale e ao Grupo J. Safra, ressaltou que os custos adicionais ao longo da cadeia de abastecimento estão sendo discutidos com os compradores. Tradicionalmente, a maior parte da produção é vendida por meio de contratos de longo prazo com custos fixos, o que limita a capacidade dos fornecedores de repassar aumentos inesperados. Resta saber até que ponto os varejistas estarão dispostos a aceitar preços mais altos e como os consumidores, acostumados com o baixo custo da fruta, reagirão.
Matérias originais
- El Niño ameaça era das bananas baratas, alerta Chiquita · investnews.com.br



