CBA registra lucro líquido recorde de R$ 616 milhões no 3º trimestre de 2026

Destaques
- •Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) alcança lucro líquido de R$ 616 milhões, um aumento de 366% em relação ao ano anterior.
- •Resultado impulsionado por preços recordes do alumínio, desempenho operacional e benefício não recorrente de R$ 526 milhões com renegociação de obrigações.
- •CBA aguarda conclusão da venda de controle pelo Grupo Votorantim para joint venture entre chinesa Chinalco e Rio Tinto, enquanto foca em produtividade.
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) anunciou um lucro líquido recorde de R$ 616 milhões no terceiro trimestre de 2026, um crescimento expressivo de 366% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado histórico foi impulsionado principalmente pelo aumento nos preços realizados do alumínio, pelo desempenho operacional da companhia e por um impacto não recorrente significativo.
O impacto não recorrente refere-se a um benefício econômico de R$ 526 milhões obtido com a renegociação e liquidação antecipada de obrigações de Uso do Bem Público (UBP). Essa operação, realizada nos termos da Lei nº 15.235/2025, envolveu um pagamento líquido de R$ 262 milhões e reduziu compromissos futuros de caixa da empresa. Após os efeitos tributários, o ganho líquido totalizou R$ 315 milhões.
Receita e Ebitda em alta
A receita líquida consolidada da CBA atingiu R$ 2,7 bilhões, o maior patamar trimestral da história da companhia, representando um aumento de 18% em relação ao ano anterior. O avanço nas receitas foi sustentado por maiores preços realizados do alumínio e pela maior participação de produtos de maior valor agregado nas vendas.
O Ebitda ajustado, que mede a geração operacional de caixa, alcançou R$ 565 milhões, um aumento de 142% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada subiu de 10% para 21%. Segundo a empresa, esse desempenho reflete a evolução operacional do negócio de alumínio e a redução do impacto negativo de contratos futuros e derivativos de energia, que caiu de R$ 208 milhões para R$ 47 milhões.
Preços do alumínio e cenário global
O preço médio do alumínio na London Metal Exchange (LME) foi de US$ 3.226 por tonelada, alta de 23% na base anual. Apesar de uma queda de 9,7% em relação ao segundo trimestre, os preços se mantiveram em níveis historicamente elevados. Isso é atribuído a baixos estoques globais, à recuperação gradual da demanda chinesa e a restrições de oferta fora da China.
O CEO da CBA, Luciano Alves, afirmou que a empresa não prevê quedas abruptas no preço da commodity. Ele destacou que as unidades do Oriente Médio que interromperam produção devido à guerra estão retomando atividades gradualmente, sem impacto relevante nos preços. Novas capacidades de produção na Indonésia são vistas como mais relevantes, mas sua entrada no mercado deve ocorrer de forma gradual.
Venda de controle e endividamento
A CBA segue em compasso de espera quanto à conclusão da venda do controle da companhia pelo Grupo Votorantim para uma joint venture formada pela chinesa Chinalco (Chalco) e a Rio Tinto. Alves comentou que o assunto é tratado com tranquilidade, enquanto a empresa se concentra em ganhos de produtividade.
A dívida líquida da companhia encerrou setembro em R$ 2,8 bilhões, uma redução de 16% em relação ao ano anterior. A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, recuou para 1,38 vez. A CFO da CBA, Camila Abel, considera o endividamento confortável, mesmo para suportar períodos de alta do dólar, moeda na qual está denominada cerca de 80% da dívida. A estrutura financeira também deixa a empresa preparada para novos investimentos.



