Carros elétricos: entenda o enjoo de movimento e como amenizar os sintomas

Destaques
- •Algumas características de carros elétricos, como aceleração rápida e frenagem regenerativa, podem intensificar a cinetose, conhecida como enjoo de movimento.
- •A dificuldade do cérebro em integrar sinais visuais e do sistema vestibular pode causar náuseas, tontura e vômitos.
- •Medidas como olhar para o horizonte, evitar telas e ajustes na condução podem ajudar a reduzir o desconforto.
O enjoo de movimento, também conhecido como cinetose, tem se tornado uma preocupação para alguns passageiros de veículos elétricos. Relatos indicam que a sensação de náusea, tontura e desconforto pode surgir nos primeiros minutos de viagem e se intensificar com o tempo, levando a escolhas de transporte alternativas para trajetos mais longos.
A assessora de imprensa Rowena Romagnoli relatou sua experiência pessoal com o problema, associando os sintomas a carros elétricos após ver uma publicação nas redes sociais. Ela definiu uma tolerância de até 15 minutos de trajeto, sentindo o enjoo insuportável em viagens mais longas.
O que causa o enjoo de movimento?
A cinetose ocorre quando o cérebro tem dificuldade em integrar informações conflitantes vindas da visão, do sistema vestibular (no ouvido interno) e da percepção corporal. Essa desorientação pode desencadear sintomas como tontura, náuseas, vômitos, suor frio e palidez.
O neurologista Sérgio Semeraro Jordy explica que a visão desempenha um papel crucial. Por exemplo, ler no celular enquanto o corpo percebe movimento pode criar um conflito sensorial. Acompanhar a estrada ou o horizonte ajuda o cérebro a processar melhor as mudanças de direção e velocidade, enquanto o uso de telas pode agravar o mal-estar.
Por que carros elétricos podem intensificar o desconforto?
Embora a cinetose não seja exclusiva de carros elétricos, algumas de suas características podem exacerbar os sintomas em pessoas suscetíveis. A entrega rápida de torque do motor elétrico permite acelerações intensas, e a frenagem regenerativa, que recupera energia para a bateria, pode causar desacelerações bruscas ao tirar o pé do acelerador.
Essas variações rápidas de aceleração e desaceleração, descritas como um "novo solavanco" por Jordy, podem ser mais perceptíveis e desconfortáveis. O baixo nível de ruído dos elétricos, que em carros a combustão ajuda a sinalizar mudanças de velocidade, também pode contribuir para uma percepção diferente do movimento.
Quem é mais propenso e o que pode ajudar?
Crianças (entre seis e 12 anos), mulheres e pessoas com histórico familiar de cinetose ou enxaqueca vestibular tendem a ser mais vulneráveis. Trajetos longos com muitas curvas e mudanças de velocidade também aumentam o risco.
Para reduzir o enjoo, recomenda-se olhar para o horizonte, evitar o uso de telas, fazer pausas em viagens longas e evitar refeições pesadas. Rowena Romagnoli encontrou alívio em uma funcionalidade do iPhone chamada "Indicadores de Movimento", que exibe "bolinhas" na tela que se movem com o veículo, ajudando a fixar o olhar. Uma função similar, Motion Assist, está disponível para Android 17 ou superior.
O papel das montadoras e motoristas
Alguns modelos de carros elétricos permitem ajustes na resposta do acelerador e na intensidade da frenagem regenerativa, o que pode suavizar as mudanças de velocidade. Davi Bertoncello, diretor de comunicação da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), afirma que esses ajustes visam o conforto e a adaptação da experiência de condução, mas não há dados consolidados no Brasil sobre a frequência de queixas de enjoo.
Ele ressalta que o problema não é inerente à eletrificação, mas sim uma questão de conforto. Boas práticas de condução, como acelerações e frenagens graduais, também são importantes. Soluções em estudo internacionalmente incluem referências visuais e estímulos sensoriais, mas sua eficácia e disponibilidade variam.
Matérias originais
- Por que carros elétricos podem causar enjoo em alguns passageiros? · olhardigital.com.br



