Economia & PolíticaRelevância BR: 10/10

Campanha de Lula ajusta estratégia após 1º turno e vence eleição

29 de outubro de 2026
Campanha de Lula ajusta estratégia após 1º turno e vence eleição

Destaques

  • •Campanha petista montou sala de situação e mudou coordenação para focar em estratégias regionais e mobilização digital.
  • •A OEA elogiou a participação e a integridade do processo eleitoral, mas criticou a intervenção do STF na prorrogação da votação.
  • •Próximos passos incluem a implementação de recomendações da OEA para o sistema eleitoral brasileiro.

Após um primeiro turno em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL) por uma margem apertada, a campanha petista implementou mudanças significativas em sua estratégia para o segundo turno. Uma sala de situação foi montada em Brasília, liderada pelo secretário de Organização do PT, Laércio Ribeiro de Oliveira, com a participação de nomes como o senador Camilo Santana (PT-CE) e o presidente do PT, Edinho Silva. O objetivo era analisar dados para definir ações específicas por região, visando aumentar a rejeição a Bolsonaro, intensificar mensagens positivas para Lula e identificar onde uma atuação mais forte poderia mobilizar eleitores do adversário.

Mudanças na Estratégia e Coordenação

A campanha de Lula, que inicialmente se baseou na experiência de 2022, percebeu a necessidade de aprimoramentos. A sala de situação, criada em 5 de outubro, contava com uma equipe física e virtual para analisar dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Houve também uma mudança na coordenação nacional, com a inclusão de políticos nordestinos para reforçar a campanha: o senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a coordenação política, o senador eleito Rui Costa (PT-BA) a coordenação da agenda, e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI), a coordenação da comunicação.

As análises de dados buscavam entender onde havia maior capacidade de mobilização com mensagens positivas, a concentração de eleitores de Lula, a necessidade de mobilizar abstêmios e como aumentar a rejeição ao adversário. Materiais de comunicação foram separados por temas e objetivos, com conteúdos específicos para cada finalidade.

Aproximação Digital e Mobilização

Um dos pontos cruciais da nova estratégia foi a aproximação com o eleitorado jovem e a comunicação direta nas redes sociais. Convencido da importância dessa abordagem, Lula passou a gravar vídeos para diversas plataformas digitais, projetando uma imagem de estadista. Paralelamente, o deputado federal André Janones (Rede-MG) intensificou a mobilização digital com um estilo combativo, comandando o canal "Exército do Lula" no WhatsApp, que reuniu 10,5 milhões de seguidores e ensinou a usar algoritmos para influenciar a eleição.

Laércio de Oliveira destacou que a redução da abstenção e o retorno de eleitores às urnas foram determinantes para a vitória, além de atrair eleitores da "terceira via". Ele ressaltou que, embora os modelos tradicionais de campanha ainda tenham importância, eles se tornaram insuficientes. A lição é a necessidade de criatividade e de falar diretamente com a massa, sem intermediários, adaptando-se a uma sociedade que perdeu muitos de seus porta-vozes tradicionais.

Relatório da OEA e Recomendações

A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) divulgou seu relatório preliminar, parabenizando a população brasileira pela participação e ratificando a vitória de Lula e Geraldo Alckmin (PSD), sem dúvidas sobre a integridade dos dados do TSE. No entanto, o documento apresentou críticas e recomendações urgentes.

Um ponto de destaque negativo foi a confusão institucional no encerramento da votação, com a liminar do ministro Cristiano Zanin (STF) para prorrogar o horário de votação. A OEA classificou o fato como "inédito" e que causou perplexidade, pois ocorreu enquanto o TSE analisava pedidos similares. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, admitiu que a ordem liminar "gerou dificuldades" e quase comprometeu o sistema de apuração. A OEA também pontuou a intensa polarização e o recorde de litigiosidade, com um aumento de quase 75% nas ações judiciais em comparação a 2022.

Entre os pontos positivos, a OEA citou a redução de 86% nas denúncias de desinformação sobre o sistema eleitoral em relação a 2022, a consolidação da biometria para 89% dos eleitores, o crescimento da bancada feminina na Câmara e o recorde de candidaturas indígenas. Para o futuro, a MOE/OEA recomendou a atualização do marco legal da internet, a limitação de decisões monocráticas, a revisão do calendário de candidaturas e o combate à violência política.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas