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Cade recomenda aprovação da compra da Medley pelo Grupo EMS com condição

04 de novembro de 2026
Cade recomenda aprovação da compra da Medley pelo Grupo EMS com condição

Destaques

  • •A área técnica do Cade recomendou a aprovação da compra da Medley pelo Grupo EMS, mas impôs a condição de venda de parte dos negócios para manter a concorrência.
  • •A operação pode concentrar mais de 90% das unidades vendidas em farmácias de medicamentos para tratamentos de infertilidade, gerando preocupação no órgão.
  • •A decisão final sobre a aquisição e as condições impostas caberá ao Tribunal do Cade.

A área técnica do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recomendou, nesta quarta-feira (4), a aprovação da compra da Medley pelo Grupo EMS, mas com uma condição: a venda de parte dos negócios para preservar a concorrência. Os detalhes da proposta, incluindo quais negócios ou marcas seriam alienados, permanecem sob sigilo. O parecer da Superintendência-Geral aponta que, sem alterações, a operação reuniria mais de 90% das unidades vendidas em farmácias de uma categoria de medicamentos usados em tratamentos de infertilidade, o que gerou preocupação no órgão.

Preocupação com medicamentos para infertilidade e enxaqueca

A principal preocupação do Cade se concentra em dois segmentos específicos: estimulantes da ovulação e uma classe de remédios contra enxaqueca. Na categoria de estimulantes da ovulação, que auxilia mulheres a ovular, o Grupo EMS e a Medley somam mais de 90% das unidades vendidas em farmácias. Um dos produtos citados é o Clomid, da Medley, que utiliza citrato de clomifeno, uma substância para a qual nenhum concorrente oferece o mesmo composto, segundo o Cade. Laboratórios consultados indicaram não ter capacidade imediata para suprir a demanda caso houvesse um aumento de preços.

O problema se repete na classe de medicamentos contra enxaqueca que inclui a naratriptana. Nesse segmento, a participação conjunta das empresas na venda de unidades em farmácias fica entre 50% e 60%. Além das empresas envolvidas na compra, apenas a GSK comercializa a mesma substância com o medicamento de referência. A Libbs foi apontada como a única concorrente capaz de fazer frente ao grupo após a aquisição, considerando a categoria como um todo.

Proposta de venda e próximos passos

A proposta de venda de parte dos negócios foi apresentada pelas próprias empresas após questionamentos da autarquia e recebeu parecer favorável da Superintendência-Geral. A recomendação é condicionar a aprovação a um Acordo em Controle de Concentrações (ACC), que estabelece as obrigações a serem cumpridas pelas companhias. A análise do Cade dividiu os medicamentos por categorias e canais de venda, chegando a 120 cenários. Em 70 deles, a operação se enquadrou em critérios de análise simplificada. Nos demais, a Superintendência encontrou rivais capazes de disputar clientes, e nos dois segmentos problemáticos, considerou que a venda proposta seria suficiente para mitigar os riscos.

A compra da Medley foi anunciada em março por cerca de US$ 600 milhões (aproximadamente R$ 3,2 bilhões à época), em uma disputa que envolveu outros laboratórios como Aché, Hypera, Biolab e a indiana Sun Pharma. A aquisição de 100% da Medley será feita pela Novamed, subsidiária do Grupo EMS, e abrange medicamentos, marcas, direitos de propriedade intelectual e duas plantas industriais em Campinas (SP). Para a EMS, o negócio amplia sua presença em genéricos, enquanto para a francesa Sanofi, atual dona da Medley, a venda faz parte da estratégia de focar em produtos inovadores.

A compra ainda depende da aprovação final do Tribunal do Cade, cujos conselheiros decidirão sobre a operação e as condições para autorizá-la.

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