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BYD quer transferência de tecnologia de baterias de lítio da China para o Brasil

29 de outubro de 2026
BYD quer transferência de tecnologia de baterias de lítio da China para o Brasil

Destaques

  • •Vice-presidente da BYD Brasil, Alexandre Baldy, solicitou ao presidente Lula um diálogo diplomático com a China para viabilizar a transferência de tecnologia de células de baterias de lítio.
  • •A BYD busca aumentar o conteúdo local na produção de veículos na Bahia, visando ultrapassar 50% de componentes nacionais até janeiro de 2027, o que também facilitaria exportações para o Mercosul.
  • •A empresa afirmou que o fim da escala 6x1 não impactará a produção de carros na fábrica de Camaçari, na Bahia, e que se adaptará à nova legislação.

O vice-presidente do Grupo BYD Brasil, Alexandre Baldy, revelou nesta quinta-feira (29.out.2026) que solicitou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a abertura de um diálogo diplomático com o governo chinês para viabilizar a transferência de tecnologia de produção de células de baterias de lítio. Atualmente, a BYD fabrica o pack da bateria no Brasil, mas importa as células da China, que representam 85% do material utilizado na fábrica de Camaçari, na Bahia.

A possibilidade de transferência de tecnologia é vista como um sonho para a BYD, mas Baldy explicou que a decisão não é corporativa, e sim diplomática. Ele ressaltou o potencial de aproveitar as maiores reservas de lítio do planeta localizadas no Cone Sul da América do Sul. As regras restritas impostas por Pequim sobre a transferência de ativos estratégicos por empresas chinesas no exterior tornam essa iniciativa complexa.

Nacionalização da produção e metas futuras

A BYD avança no processo de nacionalização de seus veículos na fábrica baiana, inaugurada em outubro de 2025. Inicialmente, a montadora opera no modelo SKD (semi-knocked down), onde kits de peças chegam parcialmente desmontados para montagem final no Brasil. A empresa está instalando fábricas de estamparia, soldagem e pintura para produzir etapas importantes da carroceria localmente.

O objetivo da BYD é ultrapassar 50% de conteúdo local na montagem a partir de janeiro de 2027. Essa meta está diretamente ligada às perspectivas de exportação para países do Mercosul, como a Argentina, que possui exigências de conteúdo regional de até 35% para importação de veículos.

Adaptação à nova legislação trabalhista

Em outra frente, Alexandre Baldy assegurou que o fim da escala de trabalho 6x1 não afetará o ritmo de produção de carros na fábrica de Camaçari. Ele afirmou que a BYD se adaptará à mudança na legislação, garantindo que não haverá impacto ou redução na produção. "Nós respeitamos a lei, seguimos a lei, e vamos investir de acordo com a legislação", declarou.

A montadora, que emprega 9.500 pessoas diretamente e é a segunda maior empregadora industrial da Bahia, difere da posição da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), que expressou ressalvas sobre a redução da carga horária nacionalmente, temendo comprometer avanços econômicos.

A BYD tem a meta de produzir 600 mil carros por ano, enquanto sua capacidade atual é de 150 mil veículos anuais. A nacionalização e a adaptação às leis trabalhistas são vistas como estratégias para expandir a produção e o mercado.

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