Buser anuncia novo CEO e mira R$ 1 bilhão em faturamento até 2027

Destaques
- •Marcelo Vasconcellos assume como CEO da Buser, com meta de R$ 1 bilhão em faturamento até 2027.
- •A empresa aposta em aquisições estratégicas e na integração de tecnologias para expandir sua atuação no mercado rodoviário.
- •Novas aquisições e expansão de serviços financeiros para o marketplace são os próximos passos da companhia.
A Buser, conhecida como a "Uber dos ônibus", anunciou nesta terça-feira (23) a nomeação de Marcelo Vasconcellos como seu novo CEO. Ele substitui Marcelo Abritta, um dos fundadores da startup, que permanecerá no conselho administrativo. Com a nova liderança, a empresa projeta alcançar um faturamento de R$ 1 bilhão até 2027, superando barreiras judiciais e expandindo sua atuação no mercado.
Vasconcellos, que já atuava na companhia, assume o cargo em um momento de transição estratégica. "O Marcelo liderou nosso hipercrescimento nos primeiros anos e eu era mais operacional", afirmou Vasconcellos sobre Abritta. "Mas passamos a olhar mais para eficiência e outras vias de expansão além do capital de terceiros, e fui assumindo mais responsabilidades. Então, essa é uma transição natural."
Aquisições impulsionam expansão e entrada no mercado regulado
Uma das principais estratégias sob a gestão de Vasconcellos tem sido as fusões e aquisições (M&A). Em março deste ano, a Buser anunciou a compra das empresas Expresso JK e Transportes Santa Maria. Essas aquisições marcaram a estreia da startup no mercado regulado de transporte rodoviário e foram o motivo pelo qual o anúncio da nova liderança foi adiado.
"Estávamos no meio dessas negociações e não queríamos que nenhum ruído atrapalhasse", explicou Vasconcellos. Ele negou que a busca por segurança jurídica tenha sido o principal motivo para as aquisições, mas sim o desejo de "participar desse mercado offline, pois não tínhamos acesso aos guichês nas rodoviárias". A empresa busca demonstrar a coexistência entre os modelos de fretamento e o transporte regulado, comparando a situação à relação entre Uber e táxis.
Em junho, a Buser adquiriu a Designa, especializada em inteligência artificial (IA), adicionando uma nova camada à sua tese de aquisições. A empresa planeja usar as tecnologias desenvolvidas e os dados coletados para turbinar viações tradicionais, que operam majoritariamente no offline.
Metas financeiras e estratégia de M&A
A Buser projeta um faturamento bruto de R$ 700 milhões em 2026, partindo de R$ 580 milhões em 2025. A meta de atingir o primeiro bilhão em faturamento virá, em grande parte, da compra de novas empresas, com foco em companhias de IA e de transporte rodoviário tradicionais.
Vasconcellos citou o potencial do mercado de transporte rodoviário regulado, que movimenta entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões anualmente e transporta mais de 100 milhões de passageiros, sendo 60% ainda no offline. Em comparação, a Buser possui 14 milhões de clientes cadastrados e transporta cerca de 5 milhões de passageiros por ano, com a meta de chegar a 6 milhões em 2027.
A estratégia de aquisições visa integrar tecnologias e dados para otimizar operações em áreas como precificação e malha de rotas. A inspiração veio dos resultados obtidos nas empresas adquiridas: na Santa Maria, a receita cresceu 40% e a margem Ebitda subiu de 20% para 30%, com a taxa de ocupação passando de 55%-60% para 70%-75%.
Serviços financeiros e sustentabilidade econômica
A Buser planeja estender sua oferta de serviços financeiros ao canal do marketplace em 2027, atualmente restrita a mais de 300 parceiros no fretamento colaborativo. Esses serviços incluem financiamento para renovação de frota e parcelamento para usuários na compra de passagens.
A startup alcançou o ponto de equilíbrio (break even) em 2023, após uma mudança de estratégia focada em eficiência. Desde sua fundação em 2017, a Buser atraiu R$ 730 milhões em investimentos, mas também enfrentou ações de empresas tradicionais do setor por concorrência desleal.
Barreiras judiciais e a visão da empresa
A Buser ainda enfrenta restrições de operação em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia, além de proibições pontuais no Ceará e Paraná. No entanto, Vasconcellos não vê essas barreiras como um risco, citando uma liminar recente do STF que autorizou a retomada das viagens interestaduais para o Paraná.
O ministro Kassio Nunes Marques baseou sua decisão nos princípios da livre iniciativa e concorrência, argumentando que a ausência de regulamentação específica não justifica impedir a atuação de empresas ou inibir a inovação. Embora a decisão possa ser revertida, a Buser se apoia nessa jurisprudência para futuras batalhas judiciais, defendendo a coexistência dos modelos de negócio.
Matérias originais
- Buser escolhe “novo piloto” para comandar o ônibus · neofeed.com.br



