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BTG Pactual recomenda exportadoras de materiais básicos em cenário de juros altos

27 de outubro de 2026
BTG Pactual recomenda exportadoras de materiais básicos em cenário de juros altos

Destaques

  • •BTG Pactual sugere que empresas exportadoras de materiais básicos podem se beneficiar de juros elevados e pressão sobre o real.
  • •Gerdau é apontada como a principal aposta defensiva devido à sua forte exposição ao mercado norte-americano e balanço sólido.
  • •Investidores devem acompanhar a evolução dos preços das commodities e as condições de financiamento das empresas do setor.

Em um cenário de juros elevados por mais tempo, pressão sobre o real e maior percepção de risco no mercado brasileiro, o BTG Pactual recomenda que investidores considerem empresas exportadoras do setor de materiais básicos. O banco vê oportunidades relativas nesse segmento, mesmo com as perspectivas desafiadoras para commodities como minério de ferro e aço.

A necessidade de proteção das carteiras deve aumentar, favorecendo companhias com receitas dolarizadas, custos em reais e menor exposição à economia doméstica. O BTG Pactual avalia que a estratégia não depende de uma melhora nos fundamentos das commodities, mas sim da capacidade das empresas de proteger seus resultados em um ambiente macroeconômico adverso. O banco espera que a necessidade de hedge (proteção cambial) aumente, atraindo fluxos para um setor com baixo posicionamento atual.

Gerdau: aposta defensiva com foco nos EUA

Entre as siderúrgicas e mineradoras analisadas, a Gerdau (GGBR4) é destacada como uma das principais apostas defensivas. Aproximadamente 76% do Ebitda da companhia é gerado na América do Norte, o que reduz sua dependência do desempenho econômico brasileiro. O BTG Pactual afirma que a Gerdau é efetivamente um negócio exposto ao dólar, com uma dívida líquida de apenas 0,6 vez o Ebitda e perfil de crédito com grau de investimento.

A empresa também tem exposição limitada à dívida indexada ao CDI, diminuindo sua sensibilidade a uma permanência da Selic em patamares elevados. Apesar da pressão na siderurgia brasileira devido à demanda fraca e concorrência de importações, com margens de Ebitda domésticas próximas de mínimas históricas (cerca de 10%), a diversificação geográfica, solidez financeira e exposição cambial tornam a Gerdau uma posição defensiva relevante. O banco aponta ainda uma avaliação inferior a quatro vezes o Ebitda projetado para 2027 e um fluxo de caixa acima de 10%.

Vale: desafios do minério de ferro e alívio cambial

A análise para a Vale (VALE3) é mais complexa. A companhia possui baixa exposição à demanda doméstica e receitas em dólar, o que pode proteger em momentos de estresse no mercado local. No entanto, a Vale continua exposta às dificuldades do mercado global de minério de ferro, com preços próximos de US$ 90 por tonelada, custos de frete elevados e riscos de rentabilidade da produção mundial. Desafios operacionais no Sistema Norte também aumentam as incertezas.

O BTG Pactual vê risco de revisões negativas para as estimativas de resultados da Vale nos parâmetros spot atuais. Contudo, a desvalorização do real pode oferecer alívio, pois parte relevante dos custos da mineradora é incorrida em moeda brasileira, enquanto as receitas são em dólar. Uma desvalorização de 10% do real poderia elevar o Ebitda da Vale em cerca de 7% a 8%. Apesar desse potencial benefício, o banco considera a relação risco-retorno mais equilibrada após a correção recente das ações, mantendo o preço do minério de ferro como fator determinante.

CSN: sensibilidade aos juros domésticos

A CSN (CSNA3) apresenta uma situação distinta, com maior exposição ao mercado doméstico de crédito. Em um ambiente de juros altos, o custo da dívida e a estrutura de capital ganham importância. O BTG Pactual cita a CSN como uma das exceções em sua cobertura com maior sensibilidade às condições locais de financiamento. O aumento dos custos financeiros pode reduzir a flexibilidade da empresa para atravessar períodos de demanda fraca e margens pressionadas.

Enquanto grandes exportadoras como Vale e Gerdau têm acesso a mercados internacionais de dívida com custos em dólar estimados entre 5% a 6% e exposição limitada ao CDI, a CSN é considerada mais vulnerável às condições domésticas de financiamento. O relatório do BTG indica que, embora a exposição a commodities e receitas em dólar seja relevante para a CSN, a qualidade do balanço e o custo de financiamento são fatores cruciais para diferenciar as empresas do setor em um cenário macroeconômico restritivo.

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