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Brincadeiras de risco ao ar livre são essenciais para saúde infantil, diz estudo

28 de outubro de 2026
Brincadeiras de risco ao ar livre são essenciais para saúde infantil, diz estudo

Destaques

  • •Análise de 74 estudos globais aponta que atividades arriscadas ao ar livre promovem saúde física e mental em crianças.
  • •Mobilidade independente e brincadeiras aventureiras, como subir em árvores e correr em ladeiras, estão associadas a maior atividade física e menor tempo de tela.
  • •Especialistas alertam para o equilíbrio entre segurança e a permissão para que crianças explorem riscos, essenciais para o desenvolvimento.

Brincadeiras ao ar livre que envolvem algum nível de risco, como correr em ladeiras, subir em árvores e explorar a água de riachos, são fundamentais para a saúde física e mental de crianças de três a 12 anos. Uma análise abrangente, publicada na revista científica PLOS One na última segunda-feira (26/10), reuniu dados de 74 estudos globais e concluiu que essas atividades promovem o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas, além de incentivarem a atividade física e reduzirem o tempo em telas.

A pesquisa, conduzida pela Universidade de Exeter (UoE), da Inglaterra, em parceria com a Universidade da Colúmbia Britânica, do Canadá, avaliou os efeitos de brincadeiras arriscadas em diversos domínios, incluindo saúde física, mental, bem-estar, agressividade, aspectos sociais e cognitivos, competência em relação ao risco e lesões. Os resultados indicam que a mobilidade independente, definida como a capacidade de sair para brincar sem supervisão direta dos pais, também contribui para níveis mais elevados de atividade física.

O que diz a pesquisa

Uma análise sistemática de 21 artigos, publicada em 2015 no International Journal of Environmental Research and Public Health, já havia associado brincadeiras ao ar livre de risco à promoção da saúde e desenvolvimento infantil, embora também reconhecendo o potencial de lesões. O estudo destacou que, apesar da diminuição dessas atividades ao longo do tempo devido a preocupações com segurança, os benefícios para a saúde física, social e comportamental são evidentes. A revisão indicou a necessidade de mais estudos de alta qualidade, mas reforçou que as descobertas apoiam a promoção de brincadeiras de risco para o desenvolvimento infantil saudável, sugerindo a necessidade de ações para aumentar essas oportunidades.

O que dizem os especialistas

A professora Helen Dodd, diretora do Centro de Pesquisa sobre Brincadeiras ao Ar Livre da Universidade de Exeter, ressalta que, embora a segurança das crianças seja primordial, a superproteção, ao privá-las da exploração de riscos, pode prejudicar seu desenvolvimento. "Se negarmos às crianças a oportunidade de se envolverem no tipo de brincadeira que as gerações anteriores consideravam natural, estaremos privando-as de importantes oportunidades de aprendizado ligadas à saúde e ao desenvolvimento infantil", afirmou em comunicado.

Dodd enfatiza a importância de um equilíbrio entre a proteção e a liberdade para que as crianças liderem suas próprias brincadeiras, aprendam com seus erros e desenvolvam autonomia. A especialista sugere que atividades como correr em alta velocidade em ladeiras, escalar árvores, brincar em riachos, simular lutas, se perder intencionalmente e enfrentar elementos naturais (sempre com os devidos cuidados) são benéficas.

O que vem depois

A pesquisa reforça a necessidade de pais e educadores repensarem a abordagem em relação às brincadeiras infantis, buscando um equilíbrio que permita às crianças explorar o ambiente de forma mais autônoma e aventureira. A tendência é que novas discussões surjam sobre políticas e práticas que incentivem a retomada dessas atividades, consideradas essenciais para a formação integral dos indivíduos.

Pesquisa citada

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