Brincadeiras de risco ao ar livre são essenciais para saúde infantil, diz estudo

Destaques
- •Análise de 74 estudos globais aponta que atividades arriscadas ao ar livre promovem saúde física e mental em crianças.
- •Mobilidade independente e brincadeiras aventureiras, como subir em árvores e correr em ladeiras, estão associadas a maior atividade física e menor tempo de tela.
- •Especialistas alertam para o equilíbrio entre segurança e a permissão para que crianças explorem riscos, essenciais para o desenvolvimento.
Brincadeiras ao ar livre que envolvem algum nível de risco, como correr em ladeiras, subir em árvores e explorar a água de riachos, são fundamentais para a saúde física e mental de crianças de três a 12 anos. Uma análise abrangente, publicada na revista científica PLOS One na última segunda-feira (26/10), reuniu dados de 74 estudos globais e concluiu que essas atividades promovem o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas, além de incentivarem a atividade física e reduzirem o tempo em telas.
A pesquisa, conduzida pela Universidade de Exeter (UoE), da Inglaterra, em parceria com a Universidade da Colúmbia Britânica, do Canadá, avaliou os efeitos de brincadeiras arriscadas em diversos domínios, incluindo saúde física, mental, bem-estar, agressividade, aspectos sociais e cognitivos, competência em relação ao risco e lesões. Os resultados indicam que a mobilidade independente, definida como a capacidade de sair para brincar sem supervisão direta dos pais, também contribui para níveis mais elevados de atividade física.
O que diz a pesquisa
Uma análise sistemática de 21 artigos, publicada em 2015 no International Journal of Environmental Research and Public Health, já havia associado brincadeiras ao ar livre de risco à promoção da saúde e desenvolvimento infantil, embora também reconhecendo o potencial de lesões. O estudo destacou que, apesar da diminuição dessas atividades ao longo do tempo devido a preocupações com segurança, os benefícios para a saúde física, social e comportamental são evidentes. A revisão indicou a necessidade de mais estudos de alta qualidade, mas reforçou que as descobertas apoiam a promoção de brincadeiras de risco para o desenvolvimento infantil saudável, sugerindo a necessidade de ações para aumentar essas oportunidades.
O que dizem os especialistas
A professora Helen Dodd, diretora do Centro de Pesquisa sobre Brincadeiras ao Ar Livre da Universidade de Exeter, ressalta que, embora a segurança das crianças seja primordial, a superproteção, ao privá-las da exploração de riscos, pode prejudicar seu desenvolvimento. "Se negarmos às crianças a oportunidade de se envolverem no tipo de brincadeira que as gerações anteriores consideravam natural, estaremos privando-as de importantes oportunidades de aprendizado ligadas à saúde e ao desenvolvimento infantil", afirmou em comunicado.
Dodd enfatiza a importância de um equilíbrio entre a proteção e a liberdade para que as crianças liderem suas próprias brincadeiras, aprendam com seus erros e desenvolvam autonomia. A especialista sugere que atividades como correr em alta velocidade em ladeiras, escalar árvores, brincar em riachos, simular lutas, se perder intencionalmente e enfrentar elementos naturais (sempre com os devidos cuidados) são benéficas.
O que vem depois
A pesquisa reforça a necessidade de pais e educadores repensarem a abordagem em relação às brincadeiras infantis, buscando um equilíbrio que permita às crianças explorar o ambiente de forma mais autônoma e aventureira. A tendência é que novas discussões surjam sobre políticas e práticas que incentivem a retomada dessas atividades, consideradas essenciais para a formação integral dos indivíduos.
Pesquisa citada
- What is the Relationship between Risky Outdoor Play and Health in Children? A Systematic Review
International Journal of Environmental Research and Public Health · 2015



