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Brasileiros que emigraram nos anos 2000 retornam ao país em busca de qualidade de vida e raízes

29 de outubro de 2026
Brasileiros que emigraram nos anos 2000 retornam ao país em busca de qualidade de vida e raízes

Destaques

  • •Executivos e profissionais que se estabeleceram no exterior entre 1997 e 2007 relatam aumento do custo de vida e barreiras de carreira como motivos para o retorno.
  • •O aumento do custo de vida no exterior, impulsionado por fatores como a guerra na Ucrânia e mudanças climáticas, tem levado muitos brasileiros a reconsiderar sua permanência fora.
  • •A proximidade com a família e a busca por um senso de pertencimento são fatores emocionais que pesam na decisão de retorno, especialmente para aqueles que já passaram dos 40 anos.

Um número crescente de brasileiros que emigraram entre 1997 e 2007, buscando oportunidades de carreira no exterior, está retornando ao Brasil. A percepção de consultorias de recrutamento executivo indica um aumento de 30% a 50% na procura por profissionais que viveram fora. Os Estados Unidos foram o principal destino na época, com a população brasileira no país dobrando. Muitos também se estabeleceram na Europa, Japão e Austrália.

Aumento do Custo de Vida no Exterior

Um dos principais fatores que impulsionam o retorno é o aumento expressivo do custo de vida em países como Estados Unidos e Austrália. A jornalista Patrícia Matos, que morou em Manhattan, relata que o aluguel de seu estúdio saltou de US$ 2,9 mil para cerca de US$ 4,4 mil após reformas. A inflação anual nos EUA atingiu cerca de 8% em 2022, impactando o preço de bens e serviços.

Matheus Marteli, que viveu mais de duas décadas em Londres, também observou o dobro do preço dos aluguéis após a pandemia. Apesar do poder de compra ainda ser maior no exterior, a queda nos últimos anos e o alto custo de vida tornaram a permanência menos vantajosa, especialmente quando comparado à distância da família.

Barreiras de Carreira e Busca por Pertencimento

Além das questões financeiras, muitos profissionais experientes enfrentam um "atrito discreto" e uma "rivalidade" no ambiente de trabalho no exterior, com dificuldades em ascender a posições de liderança. "Existe uma espécie de teto para a carreira deles", aponta Carlos Eduardo Altona, da consultoria Exec.

A busca por um senso de pertencimento e a proximidade com a família, especialmente com pais idosos, também são motivadores fortes. Raquel Heloisa Cassado, após retornar à Austrália e depois vir definitivamente ao Brasil, encontrou em Ubatuba, SP, um novo lar com valores como família e amigos, mesmo com uma renda menor.

João Velloso, da Stellantis, destaca que morar fora muda a percepção do Brasil, que hoje é visto como um mercado crescente e competitivo, atraindo tanto quem retorna quanto profissionais estrangeiros.

Medo de Deportação e Insegurança

Um grupo mais vulnerável, formado por imigrantes em trabalhos mais simples e muitas vezes na clandestinidade, está retornando por medo de deportação. Eliane Garcez, da ONG Mulheres do Brasil NY, relata um aumento significativo de brasileiros voltando com receio de perder o que conquistaram. Desde o governo Trump, mais de 2.200 brasileiros foram deportados. A insegurança também afeta quem possui visto de residência, como a polêmica taxa de US$ 100 mil para renovação do visto H-1B, embora tenha sido anulada por um juiz.

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