Brasileiro Daniel Dahis vence prêmio internacional de comunicação científica

Destaques
- •Engenheiro biomédico Daniel Dahis é o primeiro brasileiro a ganhar o Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communication.
- •O prêmio, concedido pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA, reconhece a divulgação científica feita por Dahis em suas redes sociais, onde acumula mais de 750 mil seguidores.
- •Dahis recebeu US$ 40 mil na categoria Research Scientist: Early Career e espera que sua conquista inspire outros pesquisadores brasileiros.
O engenheiro biomédico Daniel Dahis se tornou o primeiro brasileiro a vencer o Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communication. O prêmio, concedido pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM), reconhece profissionais que levam a ciência para além dos muros acadêmicos. O resultado foi anunciado nesta segunda-feira (26).
A edição de 2026 do prêmio reconhece 24 profissionais em oito categorias, com premiações que variam de US$ 20 mil a US$ 40 mil. Dahis foi o vencedor principal na categoria Research Scientist: Early Career, voltada a pesquisadores em início de carreira. O destaque se deve à sua atuação na divulgação científica em redes sociais, onde acumula mais de 750 mil seguidores, explicando temas como vacinas, doenças e novas pesquisas.
Divulgação científica em português
Dahis, que atualmente reside nos Estados Unidos, mas produz conteúdo predominantemente em português, expressou surpresa com a premiação. Ele dedicou anos à pesquisa e, desde 2024, passou a comunicar ciência nas redes sociais. "Nunca imaginei que um dia receberia um reconhecimento internacional por levar esse conhecimento para fora dos laboratórios", afirmou.
Para ele, o reconhecimento de instituições de prestígio a um pesquisador brasileiro sublinha a importância da produção científica e da comunicação sobre ciência no país. Ele vê as redes sociais como um espaço crucial onde muitas pessoas buscam respostas, mas onde a desinformação também circula facilmente, por vezes propagada por profissionais de saúde.
Trajetória acadêmica e de pesquisa
Formado em engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dahis especializou-se em engenharia biomédica. Realizou mestrado e doutorado no Technion, em Israel, com pesquisas em oncologia em colaboração com a Escola de Medicina de Harvard.
Durante seu doutorado, pesquisou uma estratégia de vacina personalizada contra o melanoma, combinando imunoterapia, nanopartículas e ultrassom focalizado. Outra frente de pesquisa envolveu o uso de adesivos com microagulhas para coletar biomarcadores de forma minimamente invasiva, permitindo o acompanhamento da resposta ao tratamento em tempo real. Esses estudos, ainda em fase pré-clínica, foram publicados em 2023 nas revistas científicas “Advanced Functional Materials” e “Advanced NanoBiomed Research”.
Dahis também esteve envolvido em pesquisas sobre o uso de ultrassom para auxiliar nanopartículas carregadas de medicamentos a atravessar a barreira hematoencefálica, um desafio no tratamento de tumores cerebrais. Em experimentos com animais, a técnica aumentou em até 3,6 vezes a concentração de nanopartículas no cérebro.
Aplicações práticas e desafios da comunicação
Na BioDevek, em Boston, ele liderou testes pré-clínicos de um gel adesivo em spray para proteger feridas no sistema digestivo após procedimentos de endoscopia. Em testes com porcos, o material demonstrou durar de 3 a 7 dias, favorecendo a cicatrização. O estudo foi publicado em 2024 na revista “Advanced Materials”.
Dahis relatou que, em 2024, ouviu que sua trajetória poderia inspirar jovens interessados na carreira científica. Ele destaca os riscos da desinformação, mencionando uma pesquisa da revista Nature que indicou que cerca de 15% dos cientistas que comentaram publicamente sobre a Covid-19 relataram ter recebido ameaças de morte. "Precisamos de cada vez mais pessoas com formação científica participando do debate público para fazer frente a esse movimento que coloca pessoas vulneráveis em risco", disse.
Atualmente, Dahis atua nos Estados Unidos como cientista de desenvolvimento clínico, focando em tecnologias para monitorar pacientes internados e identificar precocemente pioras em seus quadros clínicos. Ele acredita que o prêmio reconhece o valor da divulgação científica em português e espera que sua conquista motive outros pesquisadores e comunicadores do Brasil.


