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Brasil precisa de orquestração para virar criador de IA, diz especialista

23 de outubro de 2026
Brasil precisa de orquestração para virar criador de IA, diz especialista

Destaques

  • •Especialista defende que Brasil precisa conectar academia, setor privado, investidores e poder público para se tornar criador de tecnologia de IA.
  • •A falta de clareza regulatória, infraestrutura de dados e compras públicas inovadoras são barreiras para o desenvolvimento.
  • •Santa Catarina avança com programa para impulsionar adoção de IA em empresas locais.

O Brasil possui talento e estratégias para inteligência artificial (IA), mas enfrenta o desafio de transformar planejamento em infraestrutura, capacidade tecnológica e execução. A principal questão para gestores públicos é como fazer o país deixar de ser apenas um consumidor de tecnologia estrangeira para se tornar um criador.

O problema central, segundo especialistas, não é a falta de talentos — o país conta com pesquisadores de ponta e empreendedores de sucesso —, mas sim a desconexão entre quem pesquisa, desenvolve, financia e compra. Sem uma orquestração eficaz entre academia, setor privado, investidores e poder público, o Brasil corre o risco de continuar exportando cérebros e importando soluções.

O que separa plano de execução

Para que o Brasil se torne uma referência global em IA, é preciso atuar em três frentes simultaneamente. A primeira é a relação entre universidade e empresa, que necessita de regras claras para desburocratizar a colaboração e incentivar o investimento em pesquisa aplicada sem receio de questionamentos jurídicos.

A segunda frente é a infraestrutura de dados. A formação de cientistas de dados é prejudicada quando eles precisam alugar capacidade computacional em datacenters estrangeiros, incorrendo em custos em dólar e latência. A criação de condições para a instalação de datacenters no Brasil, como incentivos fiscais e simplificação ambiental, é uma política pública essencial.

Por fim, as compras públicas devem ser usadas como alavanca de inovação. O setor jurídico, por exemplo, com sua complexidade e volume de processos, seria um campo fértil para soluções de IA. No entanto, a aquisição de sistemas genéricos por meio de licitações engessadas impede o desenvolvimento de tecnologias de ponta por empresas brasileiras.

O laboratório que já está rodando

Enquanto o debate nacional avança, o estado de Santa Catarina demonstra um caminho prático. A ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia) lançou o programa ACATE AI First, com o objetivo de levar 10 mil empresas catarinenses a adotarem IA como motor de inovação até 2031. O programa foca na orquestração do ecossistema, oferecendo acesso coletivo à infraestrutura de grandes modelos, troca de experiências e formação especializada.

Um board com as principais entidades do setor de IA está sendo formado para alinhar a formação de talentos, pesquisa aplicada e políticas públicas. A iniciativa busca evitar ações isoladas e promover um alinhamento de visão.

O que o gestor público pode fazer amanhã

Para gestores públicos e candidatos que desejam ir além do discurso, três decisões práticas são propostas:

  • Mapear e articular entidades que já trabalham com IA no estado ou município, removendo barreiras burocráticas.
  • Revisar leis de compras públicas para permitir a experimentação e a aquisição de inovação pelo setor público.
  • Fortalecer a interlocução especializada, seja através de secretarias de ciência e tecnologia ou canais diretos entre inovação e secretarias-fim.

A construção da infraestrutura para o futuro digital do Brasil exige decisões concretas e imediatas, replicando o que já funciona em outras regiões e evitando que planos fiquem apenas na gaveta.

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