Brasil pode ter recessão e estagflação em 2027, alertam especialistas

Destaques
- •CEO da Ouro Preto Investimentos prevê recessão e estagflação em 2027, citando fatores externos e descontrole fiscal.
- •Medidas eleitorais podem gerar impacto fiscal de R$ 40 bilhões sem previsão orçamentária, segundo IFI.
- •Investidores devem ter cautela com crédito privado e buscar diversificação em meio a incertezas econômicas.
O Brasil pode enfrentar uma recessão com risco de estagflação (retração econômica combinada com alta inflação) em 2027, segundo avaliação de João Peixoto, CEO da Ouro Preto Investimentos. O cenário, que pode impactar empresas e o mercado de crédito privado, é atribuído a uma combinação de fatores externos, como guerras e desaceleração na China, e internos, como o descontrole fiscal.
Peixoto alertou que a economia já mostra sinais de desaceleração e que empresas endividadas podem ter dificuldades em rolar seus débitos com juros altos. Ele estima que a recessão possa se concretizar em meados de 2027, independentemente do resultado eleitoral. A preocupação com o descontrole fiscal, segundo ele, pode levar a juros elevados e a uma crise interna, caso o governo insista em aumentar impostos como única solução, o que poderia, paradoxalmente, reduzir a arrecadação e levar o país ao colapso.
Impacto fiscal e dívida pública em alta
Paralelamente, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estima que medidas anunciadas durante a campanha eleitoral à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem gerar um impacto fiscal de R$ 40 bilhões sem cobertura no Orçamento de 2027. Essas medidas incluem reajustes no Bolsa Família, perda de arrecadação com apostas de quota fixa (bets) e benefícios para microempreendedores individuais (MEI).
O relatório da IFI também aponta para a necessidade de um ajuste fiscal para estabilizar a dívida pública, projetando um déficit primário de 0,5% do PIB para este ano e de até 1% em 2027, considerando os novos compromissos. Para estabilizar a relação dívida/PIB, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB, indicando a necessidade de um ajuste fiscal de cerca de 3 pontos percentuais do PIB.
A elevação das estimativas para a taxa de juros real neutra também aumenta o esforço necessário para conter o endividamento público. A IFI calcula que a probabilidade da dívida bruta superar 90% do PIB até 2030 aumenta de 78,9% para 81,6% com a incerteza sobre os juros.
Cautela e seletividade no mercado de crédito
Diante desse cenário de juros altos e incertezas, João Peixoto recomenda cautela e seletividade para investidores, especialmente no mercado de crédito privado. Ele sugere que, no curto prazo, aplicações em crédito privado, como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), podem se tornar mais atrativas, com rentabilidades na casa de 110% do CDI.
Contudo, ele alerta para o longo prazo e a necessidade de diversificação. "É preciso separar bem o joio do trigo, pois com juro alto devemos ter problemas de inadimplência, isso é estatístico", afirmou. A preferência deve ser por bons papéis de primeira linha de bancos e FIDCs bem selecionados, evitando a concentração de recursos em um único fundo.
Setores como o varejo tradicional e instituições financeiras são citados como mais expostos aos juros altos e à retração do mercado. O agronegócio, por sua vez, enfrenta a desaceleração chinesa e o aumento dos custos de fertilizantes e combustíveis, além de já estar endividado.
A Ouro Preto Investimentos espera ampliar em cerca de 30% seu patrimônio sob gestão em 2026 e 2027, impulsionada pela migração de operações do mercado bancário e pelos juros altos. A gestora pretende concluir novas operações de FIDCs de cerca de R$ 1 bilhão até o fim deste ano, mas o resultado dependerá do apetite do investidor após as eleições.
Matérias originais
- Para CEO da Ouro Preto, “todas as nuvens mostram que vem tempestade” em 2027 · infomoney.com.br
- Instituto prevê impacto fiscal de R$ 40 bilhões com medidas de Lula nas eleições · moneytimes.com.br



