Brasil pode liderar aplicação de robôs humanoides, não fabricação

Destaques
- •O Brasil tem potencial para se destacar na aplicação e integração de robôs humanoides, em vez de competir na fabricação global.
- •O país pode focar em setores como agronegócio, indústria, cidades inteligentes, saúde e recursos naturais, desenvolvendo hardware e software especializados.
- •Investimento em startups, fomento público e colaboração entre capital privado e público são cruciais para o Brasil conquistar liderança na etapa de aplicação.
O Brasil tem uma oportunidade estratégica de se tornar protagonista na era da Inteligência Artificial Física (Physical AI), focando na aplicação e integração de robôs humanoides em vez de competir na fabricação global. O segmento de robótica humanoide atraiu US$ 47,4 bilhões em investimentos no primeiro semestre, com Estados Unidos e China liderando a fabricação.
Apesar de não competir na fabricação de humanoides de uso geral devido aos altos custos de importação e à complexidade da cadeia produtiva, o Brasil pode capitalizar em sua vocação tecnológica para desenvolver soluções especializadas. A importação de um quadrúpede de alta qualidade custa cerca de R$ 150 mil, e um humanoide industrial ultrapassa R$ 500 mil, valores que refletem a dificuldade de produção local.
Onde o Brasil pode liderar
A oportunidade para o Brasil reside em preencher a lacuna tecnológica em setores onde a automação é uma necessidade. O país pode se destacar em:
- Agronegócio: Aplicação em fazendas extensas e remotas, onde a mão de obra é escassa.
- Indústria e logística: Modernização e otimização de processos com custo Brasil.
- Cidades inteligentes: Implementação de sistemas conectados para infraestrutura urbana.
- Saúde: Automação hospitalar e monitoramento remoto para o SUS.
- Recursos naturais: Automação em mineração, petróleo e energias renováveis para segurança e eficiência.
Nesses setores, o foco deve ser no desenvolvimento de hardware especializado, sensores, software e integração que funcionem nas condições locais, gerando dados e conhecimento para aprimoramento e exportação.
O desafio da aplicação prática
A autonomia de robôs humanoides para tarefas imprevistas ainda é limitada, com muitas demonstrações focadas em movimentos coreografados. O verdadeiro desafio, como ressaltado por especialistas, é a confiabilidade e a precisão para realizar tarefas repetitivas e complexas, como a logística de "última milha" ou "último milímetro".
A Swiss Smart Factory destacou a necessidade de robôs que "trabalhem", não apenas "dançem". A Cogtive apontou que o "último milímetro" é o desafio na robótica humanoide, onde um movimento impreciso pode gerar custos elevados. O valor real estará na capacidade de colocar robôs para operar em turnos inteiros, integrando software, coletando dados de operação e garantindo a manutenção.
Capital e fomento para a inovação
O capital para o setor está a caminho, mas deve ser direcionado para a aplicação e integração de robôs especializados, não para a fabricação de humanoides de uso geral. O Brasil possui uma vantagem na rede de fomento público, como a Lei de Informática, que pode ser aproximada de startups e fundos de tecnologia. Obrigações de investimento em PD&I na Zona Franca de Manaus, por exemplo, chegaram a R$ 1,58 bilhão em 2024.
A combinação de fomento público, que banca pesquisa e protótipos, com venture capital, que transforma tecnologia em negócio, é fundamental. Capital corporativo e bancos também podem atuar, mas a grande vantagem reside na colaboração entre esses agentes. Essa sinergia pode ser a arma mais poderosa do Brasil para liderar a etapa de aplicação da robótica humanoide, transformando tecnologia local em produto de exportação.
Matérias originais
- Como o Brasil pode vencer na corrida dos humanoides? · startups.com.br



