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Brasil: Futuro presidente enfrentará grave problema fiscal e juros altos

25 de outubro de 2026
Brasil: Futuro presidente enfrentará grave problema fiscal e juros altos

Destaques

  • •O próximo presidente do Brasil herdará um cenário de economia com crescimento estável, mas baixo, juros elevados, inflação persistente e dívida pública alta.
  • •A necessidade de um ajuste fiscal rigoroso, que pode envolver cortes em benefícios sociais e subsídios, foi evitada durante a campanha eleitoral.
  • •O ajuste fiscal, embora impopular a curto prazo, é visto como essencial para garantir crescimento econômico sustentável, aumento da renda e geração de empregos.

Independentemente do resultado eleitoral, o presidente eleito do Brasil terá um desafio fiscal significativo a partir de 1º de janeiro. A economia brasileira, embora em crescimento estável, opera em níveis baixos, acompanhada por juros altos, inflação ainda fora da meta e uma dívida pública elevada para um país emergente. A solução para essa conjuntura exige um ajuste fiscal rigoroso nas contas públicas, tema que foi evitado durante a campanha eleitoral por ambas as candidaturas.

As campanhas eleitorais negaram a intenção de realizar cortes de despesas, preferindo focar em promessas de venda de imóveis ou aumento da arrecadação. No entanto, um ajuste fiscal efetivo demandará medidas mais profundas, como a revisão de benefícios sociais e outros gastos sensíveis, como subsídios. O presidente eleito terá a tarefa de implementar políticas que foram omitidas aos eleitores durante o período eleitoral.

O exemplo da França e os desafios do ajuste fiscal

A necessidade de conter a expansão da dívida pública na França levou o governo do presidente Emmanuel Macron a propor um orçamento com cortes, incluindo gastos com educação. Essa medida gerou protestos estudantis e oportunidades para saques em diversas cidades, resultando na imposição de toques de recolher. O caso francês ilustra como o fiscal afeta diretamente o social, gerando impopularidade.

A experiência de ajustes fiscais no Brasil, como os vivenciados em 2003 (quando o autor era presidente do Banco Central) e em 2016 (como ministro da Fazenda), demonstra a dificuldade de sua execução devido à impopularidade. Contudo, os resultados a longo prazo foram positivos.

Benefícios de longo prazo do ajuste fiscal

Após o ajuste de 2003, o Brasil experimentou um crescimento médio de 4% ao ano durante os oito anos dos dois primeiros governos Lula. O ajuste de 2016, que implementou o teto de gastos, ajudou o país a sair de sua pior crise recente, marcada por uma queda de 5,2% no PIB entre junho de 2015 e maio de 2016.

A perspectiva para 2027 aponta para um cenário desafiador, com um crescimento projetado de pouco mais de 1%, segundo o relatório Focus. A inflação, influenciada pelo fenômeno El Niño e pelo preço dos combustíveis, também é um ponto de atenção.

A pior opção para o próximo governo seria realizar um ajuste fiscal aquém das necessidades do país. Embora a execução seja difícil e gere impopularidade, o ajuste fiscal compensa a longo prazo com crescimento econômico, aumento da renda e, fundamentalmente, geração de empregos, que é considerado o melhor benefício social.

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