Brasil e outros países condenam bloqueio dos EUA contra Cuba na Cúpula Ibero-Americana

Destaques
- •Brasil, México, Uruguai e Nicarágua condenaram o bloqueio econômico dos EUA contra Cuba durante a 30ª Cúpula Ibero-Americana.
- •O bloqueio causou um prejuízo acumulado de mais de US$ 8 bilhões em um ano, afetando setores como energia, saúde e transporte.
- •O Brasil defendeu o multilateralismo e a rejeição a ações unilaterais e de hegemonia na ordem mundial.
O Brasil, juntamente com México, Uruguai e Nicarágua, condenou veementemente o bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. A manifestação ocorreu durante a sessão plenária da 30ª Cúpula Ibero-Americana, realizada em Madri, na Espanha, nesta quinta-feira (05/11). O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, rejeitou a conduta de Washington de "cortar ilegalmente" o fornecimento de energia da ilha, medida que afeta diretamente os setores mais vulneráveis da sociedade cubana.
Durante o encontro multilateral, liderado pelo rei Filipe VI, Vieira defendeu que as nações da região não devem ceder à pressão norte-americana. "Desde a comunidade ibero-americana, não podemos aceitar os retrocessos. Não podemos nos conformar com ameaças ao importante acervo de conquistas básicas de nossos países", declarou. Ele acrescentou que o Brasil apoiará uma ordem mundial baseada no equilíbrio de poder e no multilateralismo, em contraposição a "ações obsoletas de hegemonia e esferas de influência", afirmando que "a era das arrogâncias unilaterais, dos protetorados e da diplomacia da força já passou".
Impacto do bloqueio norte-americano
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, detalhou os efeitos prejudiciais da política dos Estados Unidos. Segundo ele, o bloqueio causou um custo acumulado de mais de US$ 8 bilhões em um ano, um aumento de 7% em relação ao período anterior. A economia cubana enfrenta projeções de contração severa, agravada pelo bloqueio energético que restringe a entrada de combustíveis, desestabiliza a geração de eletricidade, o transporte e os serviços de saúde.
As sanções também impactaram os serviços hospitalares, com mais de cem mil pacientes em listas de espera cirúrgicas, incluindo cerca de 12 mil crianças. O bloqueio também reduziu as taxas de sobrevivência em tratamentos de câncer infantil.
Posicionamentos e defesa do multilateralismo
A mesma linha de condenação foi seguida pelos representantes do México, Roberto Velasco; Uruguai, Mario Lubetkin; e Nicarágua, Valdrack Jaentschke Whitaker. O México ratificou sua posição histórica de rejeitar o embargo e outras medidas econômicas coercitivas contra Cuba, afirmando que "uma economia vale o bem-estar que distribui e não haverá prosperidade compartilhada enquanto uma parte de nossos povos ficar para trás".
Rodríguez denunciou que o governo norte-americano levou sua "guerra obsessiva de asfixia econômica contra Cuba a limites desumanos de punição coletiva". Ele questionou o panorama global atual, marcado pelo unilateralismo e pela "pretensão imperialista e inviável de impor a paz pela força", além da violação das normas internacionais. O chanceler cubano apelou para que os membros da Comunidade Ibero-Americana ajam "sem interferências, exclusões ou pressões externas".
Matérias originais
- Brasil condena bloqueio dos EUA a Cuba durante cúpula em Madri: ‘era dos protetorados já passou’ · operamundi.uol.com.br



