Brasil aguarda proposta dos EUA sobre tarifas de importação até semana que vem

Destaques
- •Ministro Márcio Elias Rosa informou que o governo brasileiro espera receber uma proposta dos Estados Unidos sobre a disputa de tarifas até a próxima semana.
- •As tarifas impostas pelos EUA, que chegam a 37,5%, questionam a base legal brasileira e alegam falha na proibição de bens produzidos com trabalho forçado.
- •O Brasil levou a discussão à Organização Mundial do Comércio (OMC) e as exportações para os EUA caíram 6,5% no acumulado de janeiro a setembro de 2026.
O governo brasileiro aguarda para a próxima semana uma proposta dos Estados Unidos sobre um possível acordo referente às tarifas de importação aplicadas por Washington a produtos brasileiros. A expectativa foi comunicada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, nesta terça-feira (3).
A reunião que deu origem a essa expectativa ocorreu em 30 de setembro, em Milwaukee, onde os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa se encontraram com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), embaixador Jamieson Greer. Na ocasião, as autoridades americanas se comprometeram a apresentar um esboço de proposta para um futuro acordo em até quatro semanas.
“Eu imagino que, a partir dessa semana ou na outra, o Brasil deve receber o documento dos EUA. A informação que eu tenho é que eles estão trabalhando no documento para nos encaminhar, porque, independentemente da discussão política, nós tivemos conversas informais nesse período e eles, de fato, estão trabalhando nisso”, declarou Márcio Elias a jornalistas, durante o seminário Implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, na Câmara dos Deputados.
O que motivou a disputa tarifária
O Brasil contesta a legalidade da decisão do governo do ex-presidente Donald Trump, que em julho de 2025 impôs tarifas de até 37,5% sobre uma série de produtos brasileiros. Desse total, 25% foram justificados por supostas práticas anticompetitivas por parte do Brasil.
Um adicional de 12,5% foi aplicado ao Brasil e a outros 59 países, sob a alegação de que suas economias falharam em proibir e aplicar efetivamente a importação de bens produzidos com trabalho forçado. O Brasil já levou essa disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas ainda não há desdobramentos significativos.
Impacto nas exportações e eleições americanas
As vendas brasileiras para os Estados Unidos têm apresentado queda desde o anúncio das primeiras tarifas, em agosto de 2025. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações para os EUA recuaram 6,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 27,46 bilhões. As importações também diminuíram 7,1%, somando US$ 31,79 bilhões.
O Brasil mantém um déficit comercial com os EUA, que atingiu US$ 4,33 bilhões no acumulado deste ano. Questionado sobre a influência dos resultados das eleições de meio de mandato nos EUA nas negociações tarifárias, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que não há impacto.
“Não, nada, não muda absolutamente. O Brasil segue no seu percurso, tem muito trabalho para fazer e o povo norte-americano é que define as eleições”, disse o ministro.
Próximos passos na negociação
O processo de negociação envolve a apresentação de uma proposta por uma das partes, seguida por ofertas de contrapartida. “Quando a gente negocia um acordo dessa natureza comercial, de uma parte surge uma proposta e nós fazemos as ofertas. Então, eles americanos devem nos encaminhar a proposta de um acordo dizendo basicamente quais são os setores que eles gostariam de ter oferta de redução, por exemplo, de tarifa e nós responderemos na sequência”, explicou Márcio Elias.
No entanto, o ministro ressaltou que ainda não há qualquer antecipação sobre o mérito ou conteúdo da proposta que será apresentada pelos Estados Unidos.
Matérias originais
- Márcio Elias: EUA devem encaminhar proposta sobre tarifas até a próxima semana · infomoney.com.br
- Governo dos EUA deve encaminhar proposta sobre tarifas até a próxima semana, diz ministro · moneytimes.com.br
- Primeiro-ministro canadense diz que EUA ‘pedem menos e oferecem mais’ em negociações para acordo comercial · moneytimes.com.br



