Bradesco eleva juros do crédito imobiliário após alta em juros futuros

Destaques
- •Bradesco aumenta taxa mínima de financiamento habitacional de 11,7% para 15% ao ano, mais TR.
- •Ajuste é uma reação à volatilidade do mercado financeiro e alta nos juros futuros após eleições.
- •Outros bancos, como Santander e Sicredi, não preveem reajustes no momento, mas monitoram o mercado.
O Bradesco elevou, na última segunda-feira (26), as taxas de juros de algumas de suas linhas de crédito imobiliário. A taxa mínima para financiamento habitacional residencial subiu de 11,7% para 15% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR), que atualmente está em 2% ao ano. O movimento ocorreu no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, período em que os juros futuros dispararam e o mercado financeiro experimentou forte aversão ao risco.
Questionado, o banco informou que apenas "atualizou as taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado". O Bradesco acrescentou que as condições finais são negociadas individualmente, mas não detalhou os motivos da rapidez do reajuste.
Reação à volatilidade do mercado
Uma fonte do mercado imobiliário com mais de duas décadas de experiência no sistema financeiro avalia que a decisão do Bradesco foi uma reação direta ao salto nos juros futuros observado no pregão anterior. Segundo essa fonte, não se trata de uma mudança estrutural imediata nas condições de crédito, mas sim de uma medida de proteção diante da incerteza gerada pelas eleições.
"Foi um dia em que não havia praticamente preço para nada", disse a fonte, referindo-se à volatilidade que afetou contratos de juros, câmbio e títulos públicos.
Como os bancos financiam o crédito imobiliário
A explicação para o reajuste reside na forma como os bancos obtêm recursos para o crédito imobiliário. Embora a poupança ainda seja a principal fonte, com quase 30% dos recursos, sua participação vem diminuindo. As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) são instrumentos importantes, respondendo por 19% e 10% do funding, respectivamente, segundo dados da Abecip.
Esses instrumentos são influenciados pelo CDI e pela curva de juros futuros, que refletem as expectativas do mercado sobre a trajetória das taxas de juros, inflação e riscos econômicos. Quando os juros futuros sobem abruptamente, aumenta a incerteza sobre o custo de captações futuras, impactando a rentabilidade dos financiamentos concedidos.
"Como os financiamentos imobiliários podem durar 30 anos ou mais, enquanto uma LCI normalmente tem prazo de um a três anos, as instituições precisam considerar o custo de futuras captações ao definir as taxas cobradas nos contratos atuais", explicou a fonte.
Os juros futuros demonstraram forte alta: o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2028 saltou de 12,859% para cerca de 14,82%, e o de janeiro de 2031, de 12,642% para aproximadamente 15,28%.
Outras instituições financeiras
Até o momento, outras grandes instituições financeiras não anunciaram movimentos semelhantes. O Santander informou que acompanha os indicadores econômicos e o mercado de crédito imobiliário, mas suas taxas continuam a partir de 11,69% ao ano + TR. O Sicredi declarou que não prevê ajustes em seus spreads, pois o produto é estratégico e fidelizador, com foco em crescimento a médio e longo prazo.
O Itaú Unibanco não respondeu aos contatos, e o Banco do Brasil está em período de silêncio devido à divulgação de seu balanço trimestral.
A fonte consultada considera que a reação inicial do mercado, com desmonte de posições, foi exagerada. Sinais de normalização já foram observados no pregão de terça-feira, indicando que a decisão do Bradesco pode ter sido mais uma resposta a um momento de incerteza do que a uma mudança definitiva no cenário do crédito imobiliário.
Matérias originais
- Bradesco sobe juros do crédito imobiliário: por quê? E os outros bancos? · infomoney.com.br



