Bradesco BBI corta preço-alvo da Azul (AZUL3) para R$ 11 e vê recuperação mais lenta

Destaques
- •Bradesco BBI reduz o preço-alvo das ações da Azul (AZUL3) de R$ 22 para R$ 11, citando custos de combustível e câmbio desfavorável.
- •Companhia aérea prevê recuperação mais tardia devido à pressão nas margens, apesar de ter repassado parte dos custos de combustível aos clientes.
- •Investidores acompanharão a capacidade da Azul em gerenciar seus custos e a evolução das tarifas aéreas em meio a um cenário operacional desafiador.
O Bradesco BBI reduziu drasticamente o preço-alvo das ações da Azul (AZUL3), de R$ 22 para R$ 11 ao final de 2027, mantendo a recomendação neutra. A decisão reflete a análise dos analistas sobre as dificuldades operacionais e financeiras enfrentadas pela companhia aérea.
Apesar de reconhecerem potenciais benefícios vindos da melhora operacional e de novas fontes de liquidez, o cenário de combustível mais caro, câmbio desfavorável e alta sensibilidade financeira da empresa limitam a visibilidade sobre a geração de caixa e a capacidade de redução de dívidas.
Custos elevados e câmbio pressionam resultados
O BBI atualizou suas estimativas para a Azul, incorporando condições mais adversas. As projeções agora incluem uma curva de combustível 10% maior em 2026 e 22% superior em 2027. Além disso, as premissas cambiais foram elevadas em 7% para 2027 e 2028. Esses fatores impactam diretamente os custos operacionais e restringem a recuperação dos resultados financeiros da companhia.
A própria Azul reconhece que sua recuperação pode demorar mais do que o previsto. O diretor financeiro, Antonio Carlos Garcia, afirmou à Reuters que a empresa mantém um plano de crescimento cauteloso, uma vez que os altos preços do combustível de aviação continuam a pressionar as margens, mesmo após a saída da recuperação judicial (Chapter 11) no início deste ano.
Recuperação adiada e estratégia cautelosa
A Azul espera encerrar 2026 com uma capacidade cerca de 5% menor em relação ao ano anterior. Essa estratégia já estava em curso antes do recente impacto nos preços do combustível. "Vemos uma recuperação em um estágio mais tardio do que antes", disse Garcia, indicando que o cronograma pode atrasar em um ano ou mais se os preços do combustível permanecerem elevados.
No segundo trimestre, a companhia aérea reduziu sua capacidade em mais de 10% na comparação anual, como resposta direta à alta nos preços dos combustíveis. A expectativa é de que um crescimento modesto da capacidade seja retomado a partir do quarto trimestre. Garcia mencionou que a Azul está restabelecendo algumas frequências e colocando aeronaves de volta em operação, mas ressaltou que isso não deve ser interpretado como uma expansão agressiva.
A empresa conseguiu repassar aos clientes, por meio das tarifas, entre 60% e 65% dos aumentos no preço do combustível de aviação. Em fevereiro, a Azul saiu do Chapter 11 após reestruturar seu balanço, e em agosto informou que sua dívida total havia caído para R$ 21,4 bilhões.



