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Bolsas globais caem com juros altos, balanços fracos e incerteza no Brasil

29 de outubro de 2026
Bolsas globais caem com juros altos, balanços fracos e incerteza no Brasil

Destaques

  • •Queda generalizada em Nova York, Europa e Ásia reflete temores com juros do Fed e resultados decepcionantes de gigantes como Alphabet, Amazon e Intel.
  • •No Brasil, Ibovespa recua com incerteza fiscal e espera por definições ministeriais, enquanto dólar sobe.
  • •Investidores aguardam indicadores econômicos dos EUA e definições políticas no Brasil para antecipar movimentos do mercado.

As bolsas de Nova York encerraram a quinta-feira (29) em queda, estendendo as perdas da véspera, em meio à expectativa de uma nova alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro e ao tombo expressivo da Alphabet, controladora do Google. O setor de tecnologia, em bloco, sentiu o impacto, com o Nasdaq registrando a maior baixa do dia.

O Dow Jones caiu 0,25%, o S&P 500 perdeu 0,31%, e o Nasdaq recuou 1,38%. A Alphabet, em particular, sofreu sua maior queda percentual histórica, perdendo cerca de meio trilhão de dólares em valor de mercado, após apresentar um fluxo de caixa livre negativo e lucro por ação ajustado abaixo do esperado.

Expectativa de juros e balanços abalam Wall Street

A possibilidade de o Federal Reserve aumentar as taxas de juros em dezembro pesou sobre o sentimento do mercado. Apesar de dados como o Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) e o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA terem vindo em linha ou acima do esperado, a cautela prevaleceu. O PCE, medida preferida do Fed para inflação, acelerou em setembro, com alta de 0,5% na comparação mensal e 3,6% no acumulado do ano. Já o PIB do terceiro trimestre avançou a uma taxa anualizada de 3,4%, demonstrando uma aceleração em relação ao trimestre anterior.

No setor de tecnologia, a performance mista das gigantes de tecnologia expôs as diferentes estratégias para sustentar investimentos em inteligência artificial (IA). A Microsoft, por exemplo, atraiu demanda extraordinária por sua oferta de títulos, enquanto a Marvell Technology caiu após notícias sobre negociações de compra. A Amazon e a Intel divulgaram resultados após o fechamento do mercado, com a Amazon registrando queda de mais de 7% no after-market e a Intel recuando 21% após uma projeção pessimista para o trimestre atual.

Brasil: Incerteza fiscal e espera por ministros pressionam Ibovespa

No Brasil, o Ibovespa encerrou o dia com queda de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, acumulando a quarta sessão consecutiva de perdas. O principal índice da bolsa brasileira foi pressionado pela deterioração das expectativas sobre a trajetória de juros e pela incerteza em torno do plano econômico do novo governo.

O dólar à vista acompanhou o mau humor externo e a instabilidade doméstica, fechando em alta de 0,89%, a R$ 5,3878. Investidores aguardam novidades sobre a formação do Ministério da Fazenda, com a possível nomeação do governador Rafael Fonteles. A possível tributação de títulos isentos, como LCI e LCA, também esteve no radar, aumentando a cautela no mercado.

Destaques do dia e próximos passos

Entre os destaques do Ibovespa, a Gerdau liderou a ponta positiva com revisões otimistas de bancos, enquanto a Minerva sofreu as maiores perdas. As blue chips como Vale e Petrobras também apresentaram quedas, refletindo o cenário de incertezas. A Boeing e a Nike se recuperaram de quedas anteriores, com ganhos superiores a 3%.

Os mercados europeus operaram com baixa em sua maioria, com a economia francesa contraindo 0,1% no terceiro trimestre. Na Ásia-Pacífico, os mercados fecharam mistos, afetados por resultados abaixo do esperado de empresas de tecnologia americanas e pela notícia do roubo de criptomoedas da Binance. Os preços do petróleo subiram devido a preocupações com a oferta, enquanto o minério de ferro na China fechou em baixa.

Os investidores seguirão atentos aos próximos indicadores econômicos dos EUA e às definições políticas no Brasil para antecipar os movimentos do mercado.

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