Bolsa aciona circuit breaker após queda de 16,48% com resultado eleitoral

Destaques
- •Ibovespa despenca 16,48% e aciona circuit breaker pela primeira vez desde 2020.
- •Mecanismo de segurança da B3 visa conter pânico em quedas acentuadas.
- •Mercado reage à vitória de Lula e derrota de Bolsonaro; próximos passos dependem de sinais econômicos.
O mercado financeiro brasileiro operou em forte queda nesta segunda-feira (26), com o Ibovespa registrando perdas de 16,48% e acionando o mecanismo de circuit breaker. A interrupção das negociações na B3, a Bolsa de Valores brasileira, não ocorria desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020. A reação do mercado está atrelada à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas.
O circuit breaker é um mecanismo de segurança da B3 que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas. Seu objetivo é conter movimentos de pânico no mercado financeiro e dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões diante de volatilidade extrema.
O que é o Circuit Breaker e quando foi acionado?
O mecanismo foi criado para evitar quedas abruptas e descontroladas no mercado. Ele é acionado quando o Ibovespa atinge um determinado patamar de queda pré-estabelecido. A interrupção dura 30 minutos, e após a retomada, se a queda persistir e atingir outro limite, pode haver uma nova paralisação.
A última vez que o circuit breaker foi acionado foi em 2020, durante o início da pandemia de Covid-19. Naquele período, o mercado financeiro global e brasileiro enfrentou grande incerteza com o avanço do coronavírus e a adoção de medidas de isolamento social.
Ao todo, o mecanismo foi acionado 6 vezes em março de 2020:
- 9 de março: após queda de mais de 10%.
- 11 de março: no dia em que a OMS declarou pandemia.
- 12 de março: acionado duas vezes, com quedas de 10% e depois de 15%.
- 16 de março: após queda superior a 12% na abertura.
- 18 de março: sexta e última paralisação de 2020.
Histórico de acionamentos do Circuit Breaker
Apesar das seis paralisações em 2020, o circuit breaker já foi acionado em outros momentos de crise no Brasil e no mundo.
Em 18 de maio de 2017, o episódio conhecido como "Joesley Day" levou ao acionamento do mecanismo após a revelação de gravações envolvendo o empresário Joesley Batista e o então presidente Michel Temer. O Ibovespa chegou a cair mais de 10%.
Durante a crise financeira internacional de 2008, originada pela crise imobiliária nos EUA, a B3 acionou o circuit breaker diversas vezes. Em outubro de 2008, foram quatro interrupções de 30 minutos e uma de uma hora, em meio à turbulência global com a quebra de instituições financeiras.
Em janeiro de 1999, a Bolsa brasileira também sofreu com uma crise cambial, que levou ao acionamento do circuit breaker em 14 de janeiro, após uma queda de 9,33% no Ibovespa.
A crise financeira russa em 1998 também impactou o mercado brasileiro, com cinco acionamentos do circuit breaker. Um dos momentos mais críticos foi em 10 de setembro de 1998, com uma paralisação de uma hora e queda de 15,82% no índice.
O primeiro acionamento do circuit breaker no Brasil ocorreu em 28 de outubro de 1997, em resposta à crise financeira asiática, que provocou quedas expressivas nas bolsas globais. Na véspera, a Bovespa já havia caído mais de 14%.
O que esperar do mercado?
A vitória de Lula e a derrota de Bolsonaro geraram incerteza no mercado financeiro, que agora aguarda os próximos passos do novo governo. Investidores e analistas buscam sinais sobre a condução da política econômica, o quadro fiscal e as reformas estruturais. A volatilidade pode persistir até que haja maior clareza sobre as diretrizes que serão adotadas.



