Bancos reajustam juros do crédito imobiliário após alta dos juros futuros

Destaques
- •Santander, Itaú e Bradesco elevam taxas mínimas de financiamento imobiliário em resposta à disparada dos juros futuros.
- •Especulações sobre aumento do IOF em investimentos isentos e risco fiscal elevam a cautela no mercado financeiro.
- •Investidores com longo prazo podem se beneficiar de retornos elevados em títulos públicos, enquanto Tesouro Selic e Reserva são vistos como portos seguros.
O Santander confirmou nesta quinta-feira (29) que também reajustará as taxas do crédito imobiliário, seguindo os passos de Bradesco e Itaú. A partir de 30 de outubro, as operações no Santander terão taxas a partir de 12,49% ao ano mais Taxa Referencial (TR), um aumento em relação aos 11,69% anteriores. O movimento ocorre em meio à forte alta dos juros futuros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Itaú, por sua vez, elevou sua taxa mínima de 11,99% para 12,95% ao ano mais TR. O Bradesco já havia aumentado sua taxa de 11,7% para 15% ao ano mais TR. Especialistas consideram o reajuste do Bradesco atípico, enquanto o do Itaú estaria mais alinhado com as expectativas de mercado. A grande incógnita é a Caixa Econômica Federal, responsável por quase 70% do crédito habitacional, que ainda não se pronunciou.
Por que os juros do crédito imobiliário subiram?
A principal razão para os reajustes é a disparada da curva de juros futuros, que eleva o custo de captação dos bancos. Grande parte do funding para financiamentos imobiliários vem de instrumentos como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Com a alta dos juros, o custo desses recursos aumenta, levando as instituições a repassarem essa elevação para as taxas de financiamento, especialmente em contratos de longo prazo.
O mercado acompanha de perto a definição de políticas econômicas e fiscais do novo governo. A incerteza sobre a gestão das contas públicas e a possibilidade de medidas para equilibrar o orçamento têm gerado volatilidade nos juros. A avaliação predominante é que os bancos estão se antecipando a um cenário de juros mais altos por um período prolongado.
Especulações sobre tributação e risco fiscal
Paralelamente aos juros do crédito imobiliário, o mercado financeiro especula sobre um possível aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos isentos de Imposto de Renda, como LCIs, LCAs, CRIs e CRAs. Essa medida seria uma forma de o governo buscar receitas para o ajuste fiscal, sem a necessidade de aprovação do Congresso.
Fontes do mercado citam alíquotas entre 8% e 8,7% sobre os ativos isentos. O benefício fiscal atual representa uma renúncia de cerca de R$ 33 bilhões anuais para o governo. A elevação do IOF, embora não cubra toda essa renúncia, traria recursos significativos aos cofres públicos. O governo já tentou acabar com a isenção em outras ocasiões, mas enfrentou resistência no Congresso.
O que esperar dos títulos públicos e investimentos seguros?
A alta dos juros futuros também se reflete nos títulos públicos. O Tesouro Direto viu seus papéis prefixados retornarem à faixa de 15% ao ano e os indexados à inflação se aproximarem de 8% ao ano. Para investidores com horizonte de longo prazo, esses retornos elevados podem ser uma oportunidade. Por exemplo, o Tesouro IPCA+ 2032 oferece IPCA mais 7,97% ao ano, e o Tesouro Prefixado 2032 paga 15,27% ao ano.
No entanto, para quem precisa de liquidez no curto e médio prazos, as incertezas sobre as políticas fiscais do governo e a volatilidade das taxas representam riscos. Nesse cenário, os títulos indexados à Selic, como o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva, são considerados portos seguros, com volatilidade mínima e rendimento atrelado à taxa básica de juros, que deve permanecer em patamares elevados por mais tempo do que o previsto anteriormente.
Matérias originais
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