Bancos e seguradoras avançam em IA multiagente, mas enfrentam desafios de infraestrutura

Destaques
- •Instituições financeiras estão migrando de agentes de IA individuais para sistemas multiagentes, mas apenas 10% alcançaram orquestração em toda a empresa.
- •A modernização da infraestrutura tecnológica e a comprovação do retorno sobre o investimento (ROI) são os principais obstáculos para a expansão da IA agêntica.
- •O roteamento inteligente de modelos de IA e a parceria com hyperscalers são estratégias adotadas para controlar custos e governança.
Bancos e seguradoras estão progredindo na adoção de inteligência artificial (IA), passando de agentes individuais para sistemas multiagentes capazes de coordenar tarefas e executar processos em diversas áreas. No entanto, a orquestração de IA multiagente em toda a empresa ainda é uma realidade para apenas 10% das instituições financeiras, com 59% ainda em fase de testes ou implementação em produção, segundo o World Cloud Report for Financial Services 2027, do Capgemini Research Institute. A pesquisa ouviu 1.100 executivos C-level do setor.
Um dos principais desafios apontados para a ampliação do uso da IA agêntica é a modernização da infraestrutura tecnológica. Oito em cada dez executivos consideram a redução da dívida técnica uma prioridade. O relatório também indica uma mudança nos critérios de investimento em IA: até 2028, espera-se um aumento de 141% no número de executivos que priorizam resultados de negócio para financiar iniciativas de IA, enquanto aqueles que focam em ganhos de eficiência devem diminuir em 42%.
Desafios na comprovação de ROI e controle de custos
A pressão por demonstrar retorno financeiro das aplicações de IA é crescente. Atualmente, aproximadamente metade das instituições financeiras não consegue comprovar de maneira consistente o ROI de seus projetos de IA agêntica, nem dispõe de estruturas claras para avaliar o valor gerado. Para mitigar os custos de processamento, que são um ponto de atenção para a expansão dos sistemas multiagentes, 90% das instituições financeiras já utilizam ou planejam implementar o roteamento inteligente de modelos de IA.
Essa tecnologia direciona cada tarefa para o modelo de IA mais adequado, considerando critérios como precisão, desempenho e custo dos tokens. A estratégia visa administrar o consumo computacional, evitando que todas as solicitações sejam processadas por modelos de maior custo, independentemente da complexidade da atividade.
O papel da nuvem e a governança da IA
A infraestrutura de nuvem é fundamental na arquitetura de sistemas autônomos. O relatório destaca que 52% dos bancos e seguradoras consideram os grandes provedores de nuvem, os hyperscalers, como parceiros preferenciais para governar implantações de IA multiagente. Fatores como certificações regulatórias, requisitos de residência de dados, mecanismos de segurança e identidade, e capacidade de auditoria em escala influenciam essa escolha.
A expectativa é que os agentes de IA assumam um papel cada vez maior nas interações com clientes. Três quartos dos executivos entrevistados preveem que essas tecnologias serão parte fundamental do relacionamento com consumidores nos próximos três anos. Isso inclui atividades como gestão e atendimento de contas, análise e concessão de crédito, e recomendação de produtos.
“Escalar esses sistemas com sucesso exige uma infraestrutura que promova a orquestração de ponta a ponta, governança eficaz, segurança desde a concepção e uma conexão direta com o impacto nos resultados financeiros. A nuvem agora é a base operacional que torna tudo isso possível”, afirma Ravi Khokhar, diretor.

