Economia & PolíticaRelevância BR: 5/10

Bancos Centrais Aumentam Compras de Ouro e Buscam Armazenamento Mais Seguro

23 de outubro de 2026
Bancos Centrais Aumentam Compras de Ouro e Buscam Armazenamento Mais Seguro

Destaques

  • •Bancos centrais globais intensificam a compra de ouro, com aquisições em agosto superando em quatro vezes a média mensal pré-2022.
  • •Países como Holanda e França movem reservas de ouro de Nova York e Ottawa para Londres e outras localidades europeias em busca de maior liquidez e segurança.
  • •Crescente opacidade sobre a localização das reservas de ouro reflete a instabilidade geopolítica e a busca por acesso rápido em momentos de crise.

Em um cenário global de crescente incerteza geopolítica, marcado por conflitos como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além de disputas comerciais, os bancos centrais ao redor do mundo têm intensificado a compra de ouro. O metal precioso, tradicionalmente visto como um porto seguro, tem visto suas reservas aumentarem significativamente. Segundo estimativas do Goldman Sachs, em agosto, os bancos centrais adquiriram 79 toneladas de ouro, um volume mais de quatro vezes superior à média mensal registrada antes de 2022.

A demanda tem sido impulsionada por diversos países, com a China respondendo por uma parcela importante, tendo adquirido cerca de 25 toneladas em agosto. No entanto, o banco americano aponta que outros países podem estar acumulando volumes ainda maiores sem divulgação pública. As razões para essa corrida incluem a busca por reduzir a dependência de moedas de reserva do G7, especialmente o dólar, e o baixo percentual de ouro nas reservas de economias emergentes como a China.

Onde Guardar o Ouro: A Nova Preocupação

Paralelamente ao aumento das compras, uma nova preocupação tem surgido entre os bancos centrais das economias desenvolvidas: onde armazenar o ouro. Esses países já possuem grandes estoques e a discussão agora se volta para a segurança e liquidez do armazenamento. Em setembro, o banco central da Holanda revelou ter transferido 86 toneladas de ouro de Nova York e Ottawa para Londres ao longo de seis meses, visando melhor preparação para eventuais crises.

A justificativa holandesa aponta para a crescente instabilidade geopolítica, que torna mais importante manter reservas em locais que permitam acesso rápido e negociação eficiente em momentos de estresse financeiro. O ouro armazenado no Banco da Inglaterra é considerado o mais líquido e negociável do mundo, oferecendo uma forma mais ágil de mobilizar reservas em emergências.

Movimentações e Opacidade Crescente

Um movimento semelhante ocorreu na França. Em março, o Banco da França informou ter reduzido posições em ouro mantidas em Nova York e reforçado estoques na Europa. Embora a decisão tenha sido atribuída a critérios técnicos, os dados indicam uma tendência mais ampla. Segundo o Goldman Sachs, as reservas depositadas no Federal Reserve de Nova York caíram 40 toneladas em agosto, enquanto os estoques no Banco da Inglaterra aumentaram 46 toneladas.

Ao mesmo tempo, observa-se um aumento na discrição dos bancos centrais sobre a localização de suas reservas. Uma pesquisa recente indicou que 12% dos bancos centrais se recusaram a informar onde guardam seu ouro, contra 10% no ano anterior. Muitos também passaram a distribuir suas reservas por diferentes países e a ampliar a parcela mantida dentro de suas próprias fronteiras.

A tendência de diversificação e busca por locais de armazenamento mais seguros e acessíveis parece longe do fim. Quase um em cada cinco bancos centrais consultados preferiu não informar seus planos de armazenamento para os próximos 12 meses, indicando que a questão da segurança e acessibilidade do ouro em um mundo volátil é uma prioridade estratégica.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Bancos Centrais Aumentam Compras de Ouro e Buscam Armazenamento Mais Seguro | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias