Banco do Brasil busca solução para capital via BB Seguridade e gestão

Destaques
- •Banco do Brasil avalia renegociar contratos com a BB Seguridade para reforçar capital, diante do aumento da inadimplência no agronegócio.
- •A possível substituição da presidente Tarciana Medeiros e a qualidade do patrimônio do banco são pontos de atenção para o mercado.
- •Investidores aguardam definições sobre a gestão e a estratégia do banco para lidar com a pressão sobre seus indicadores financeiros.
O Banco do Brasil, controlado pelo governo, busca soluções para seus problemas de capital, com foco especial na BB Seguridade, sua holding de seguros. A prioridade surge em meio ao aumento da inadimplência na carteira de empréstimos para o agronegócio, que tem pressionado os lucros e a situação de capital do banco. Investidores e analistas apontam a renegociação antecipada dos contratos de participação nos lucros entre o banco e a BB Seguridade, que expiram entre 2031 e 2033, como uma das principais vias para reforçar o capital sem necessidade de injeção direta do governo.
Possíveis renegociações e venda de ativos
Analistas como Gustavo Schroden, do Citigroup Inc., sugerem que a venda de parte da participação do banco na BB Seguridade ou a revisão dos acordos de compartilhamento de receita seriam os primeiros passos para reforçar o capital. Embora nenhuma conversa formal esteja em andamento, a expectativa é que as discussões comecem em breve. O diretor-executivo da BB Seguridade, Delano Valentim de Andrade, confirmou que o banco está liderando a conversa, mas ainda não há um plano de ação definido.
A venda de ativos também é uma opção que a administração do banco não descarta, segundo informações de analistas. O Banco do Brasil, segundo maior banco da América Latina em ativos, enfrenta desafios com a inadimplência no agronegócio, um setor crucial para a economia brasileira.
Gestão e qualidade do capital em xeque
A possível substituição da atual presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, é outro ponto de atenção. A nomeação para o cargo máximo, geralmente feita pelo presidente da República, é cobiçada por políticos e pode indicar uma mudança de estratégia. Analistas como Eduardo Nishio, da Genial Investimentos, ressaltam a importância de um nome de carreira dentro do banco para motivar os funcionários.
A qualidade do capital do banco também tem sido questionada. Uma parcela crescente do patrimônio líquido dos acionistas é composta por créditos resultantes do pagamento excessivo de impostos, considerados de menor qualidade por não estarem imediatamente disponíveis para uso. Esse número subiu para 53% no segundo trimestre, ante 37% quatro anos antes, segundo relatório do Goldman Sachs Group Inc. A legislação brasileira dá aos bancos 10 anos para se desfazerem desse tipo de ativo acumulado até 2024, sob pena de dedução do patrimônio líquido.
Desempenho das ações e projeções
As ações do Banco do Brasil acumulam uma queda de 24,8% neste ano, contrastando com a alta de 4,4% da BB Seguridade. No dia seguinte à eleição presidencial, as ações do Banco do Brasil caíram 29%, a maior queda em pelo menos 32 anos, devido a preocupações com as políticas fiscais do governo Lula. O Citi rebaixou sua recomendação para as ações da instituição para venda, citando que aumentos esperados nas taxas de juros poderiam prejudicar a capacidade do banco de gerar receita.
As estimativas para o lucro do Banco do Brasil no terceiro trimestre caíram cerca de 24% nas últimas semanas, para R$ 3,3 bilhões, segundo analistas consultados pela Bloomberg. A situação é considerada complexa, e analistas como Gustavo Schroden afirmam que "algo precisa ser feito".



