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Banco da Inglaterra eleva juros para 4% e combate inflação crescente

05 de novembro de 2026
Banco da Inglaterra eleva juros para 4% e combate inflação crescente

Destaques

  • •O Banco da Inglaterra elevou sua taxa básica de juros para 4%, marcando o primeiro aumento em mais de três anos para conter a inflação.
  • •A inflação no Reino Unido é projetada em cerca de 5% em meados de 2025, o dobro da meta de 2%, impulsionada por altos preços de energia e tensões geopolíticas.
  • •O próximo encontro do Comitê de Política Monetária está agendado para 17 de dezembro.

O Banco da Inglaterra elevou sua taxa básica de juros para 4% nesta quinta-feira (5), marcando o primeiro aumento em mais de três anos. A decisão do Comitê de Política Monetária (MPC), tomada por 8 votos a 1, visa combater a inflação crescente no Reino Unido, que o banco central projeta atingir cerca de 5% em meados de 2025, o dobro da meta de 2%.

A pressão inflacionária, impulsionada por meses de altos preços da energia e pela atividade econômica doméstica mais forte do que o esperado, foi o principal fator para a elevação dos juros. O presidente do banco central, Andrew Bailey, declarou que o aumento atual não deve ser o primeiro de uma longa sequência, mas alertou que novos aumentos serão prováveis se o conflito entre Estados Unidos e Irã não for resolvido. O banco revisou suas projeções de inflação para cima, prevendo que ela só retorne à meta de 2% no terceiro trimestre de 2028, seis meses mais tarde do que o estimado anteriormente.

Pressões inflacionárias e o conflito no Oriente Médio

A inflação britânica atingiu um pico médio projetado de 4,8% no segundo trimestre de 2025. Em um cenário mais adverso, com o preço do petróleo a US$130 o barril, a inflação poderia chegar a 6,2% no terceiro trimestre de 2027. O banco central atribuiu parte da pressão inflacionária aos custos elevados da energia, exacerbados pela tensão geopolítica no Oriente Médio. O petróleo Brent teve média de US$ 108 por barril nos 15 dias úteis anteriores à reunião, 38% acima da projeção de julho, e o gás natural no Reino Unido chegou a 216 pence por therm, 81% acima da projeção de julho.

O Comitê de Política Monetária votou majoritariamente pelo aumento para 4%, mas a economista Catherine Mann, que havia defendido uma ação mais rápida no controle da inflação, votou por uma alta ainda maior, para 4,25%. A dissidência de Mann indica uma preocupação com a persistência da inflação e a necessidade de medidas mais assertivas. Segundo o BoE, muitas empresas absorvem os custos com redução de margens de lucro e contratos de energia de longo prazo a preço fixo, mas essas proteções são temporárias e o risco de repasse aos preços ao consumidor aumentou.

Crescimento econômico e o impacto da IA

Apesar das preocupações com a inflação, o Banco da Inglaterra revisou para cima suas expectativas de crescimento econômico para 1,6% em 2024 e 1,3% em 2025. Essa revisão positiva foi atribuída, em parte, aos gastos com inteligência artificial (IA) e a um impulso temporário do orçamento anual apresentado pelo ministro das Finanças, John Healey. O PIB foi impulsionado pela demanda externa por exportações do Reino Unido e por investimentos em IA.

Os dados oficiais fortes deste ano também contribuíram para a revisão otimista. No entanto, o cenário de inflação persistente e a possibilidade de novos aumentos de juros representam um desafio para o novo primeiro-ministro, Andy Burnham, que busca aliviar as pressões sobre o custo de vida da população. O comitê avaliou o Orçamento do governo britânico, apresentado em 28 de outubro, que estima reduzir em 0,25 p.p. o Índice de Preços ao Consumidor até o 2º trimestre de 2027. As taxas de hipotecas fixas de 2 anos subiram quase 50 pontos-base desde setembro.

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