Balança comercial do Brasil atinge recorde histórico em outubro com alta do petróleo

Destaques
- •Superávit da balança comercial em outubro foi o maior para o mês na série histórica, impulsionado pelo petróleo bruto e pelo acordo Mercosul-UE.
- •O saldo positivo de US$ 9,32 bilhões em outubro representa um crescimento de 39,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
- •Acompanhar o impacto contínuo da guerra no Oriente Médio nos preços do petróleo e a evolução das relações comerciais com a China e a União Europeia.
O superávit da balança comercial brasileira atingiu o maior resultado para o mês de outubro na série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O saldo positivo de US$ 9,32 bilhões em outubro, resultado das exportações menos as importações, é o maior em 37 anos, desde o início da série do órgão. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas exportações de petróleo bruto e beneficiado pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, que zerou tarifas para milhares de produtos.
O saldo da balança em outubro cresceu 39,4% comparado ao mesmo período do ano anterior. As exportações somaram US$ 31,51 bilhões, alta de 20%, enquanto as importações ficaram em US$ 24,82 bilhões, avanço de 14,8%. A corrente de comércio, soma dos fluxos, alcançou US$ 56,33 bilhões, também recorde para o mês. No acumulado do ano, em 10 meses, o superávit atingiu US$ 71,04 bilhões, crescimento de 34,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Petróleo bruto impulsiona exportações
O agravamento da guerra no Oriente Médio e o consequente aumento dos preços médios do petróleo, que subiram mais de 40% na comparação anual, foram fatores cruciais para o desempenho das exportações brasileiras. Somado ao aumento da produção nacional, as exportações de petróleo cresceram 122,6% apenas em outubro, tornando-se o principal produto da pauta exportadora. No ano, até outubro, o petróleo somou US$ 51,49 bilhões em exportações, alta de 38,1% em relação a 2025, e representa 67% do superávit comercial brasileiro. O fechamento do Estreito de Ormuz elevou os preços do barril para acima de US$ 100, ante cerca de US$ 70 no início do ano.
Minério de ferro em baixa e acordo com a UE
Em contrapartida, o minério de ferro, outro importante item da pauta comercial, enfrentou um período delicado. Em outubro, as exportações do produto e seus concentrados renderam US$ 2,12 bilhões, queda de 27,6% frente ao mesmo mês de 2025. A desaceleração da construção civil e da atividade siderúrgica na China, principal comprador, contribuiu para a queda de 32,8% nos embarques para o país asiático. As exportações de minério de ferro caíram mais de 20% no ano, para US$ 24 bilhões.
O acordo entre Mercosul e União Europeia, com a aplicação provisória de cláusulas comerciais desde maio de 2026, tem auxiliado na elevação das vendas de alimentos para o bloco europeu. As exportações para a Europa somaram US$ 7,76 bilhões em outubro, crescimento de 35,8%. No acumulado do ano, os embarques para a UE avançaram 20%, totalizando US$ 49,64 bilhões. O superávit com o bloco alcançou US$ 6,89 bilhões no ano.
Diversificação de mercados e tarifas americanas
A diversificação de mercados ajudou a compensar perdas em outros pontos. As vendas para a China caíram 5,3% em outubro, impactadas pelo fim da cota para exportações de carnes e pela menor demanda por minério de ferro, resultando em um encolhimento de 59,9% no saldo comercial com o país asiático. Por outro lado, os embarques para os Estados Unidos subiram 11,4%, mesmo com a aplicação de novas tarifas. Itens como aviação, carne e suco de laranja ficaram de fora do tarifamento após negociações, o que contribuiu para o desempenho positivo.


