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Atum: Relação milenar do homem com o peixe é revelada em estudo

27 de outubro de 2026
Atum: Relação milenar do homem com o peixe é revelada em estudo

Destaques

  • •Pesquisa global com 18 especialistas mapeia a interação humana com o atum ao longo de 44.000 anos.
  • •Estudo revela que a pesca moderna retira milhões de toneladas anuais, um volume incomparável com o passado.
  • •A capacidade de inovação humana, aliada à cooperação internacional, é vista como chave para a sustentabilidade dos estoques de atum.

Uma pesquisa internacional, reunindo 18 especialistas de diversas áreas como biologia e arqueologia, desvendou a profunda e milenar relação da humanidade com o atum. O estudo, publicado originalmente no site The Conversation, analisou evidências que remontam a 44.000 anos, revelando como o peixe, hoje uma indústria global avaliada em cerca de US$ 40 bilhões (R$ 200 bilhões), moldou culturas e dietas ao redor do mundo.

As descobertas indicam que a pesca de atum, que envolve 15 espécies diferentes, tem raízes muito mais antigas do que se imaginava. A evidência mais antiga provém de Timor-Leste, onde restos de atum-bonito foram encontrados em sítios arqueológicos com cerca de 44.000 anos. Em contraste, em muitas outras regiões, a pesca de atum só se tornou significativa a partir de 10.000 anos atrás. No Japão e na Coreia, a tradição pesqueira remonta a pelo menos 7.000 anos, enquanto no Mediterrâneo, a pesca do atum-azul-do-Atlântico já era comercial e em larga escala há 3.000 anos.

Métodos antigos e importância cultural

Os primeiros pescadores utilizavam uma variedade de técnicas, como anzol e linha, arpões e redes, frequentemente aproveitando características geográficas para aproximar os peixes da costa. A importância cultural do atum é evidenciada em artefatos como pinturas, afrescos e vasos. Na Grécia antiga, por exemplo, o atum era considerado digno de sacrifício aos deuses, sendo oferecido a Poseidon. Na costa noroeste da América do Norte, povos indígenas como os Nuu-chah-nulth desenvolveram uma pesca complexa do atum-azul-do-Pacífico há mais de 5.000 anos, utilizando táticas noturnas e comunicação com a terra.

No sul da Califórnia, pescadores indígenas capturavam diversas espécies de atum por 6.000 anos. A pesca comercial e esportiva ganhou força nos séculos XIX e XX, impulsionada por comunidades de imigrantes japoneses e portugueses, e se expandiu globalmente, especialmente durante as Guerras Mundiais, devido à indústria de conservas.

Escala da exploração moderna e desafios futuros

A escala da pesca de atum mudou drasticamente. Mesmo as maiores pescarias antigas, como as do Mediterrâneo, retiravam apenas milhares de toneladas ao longo de milênios. Atualmente, milhões de toneladas são capturadas anualmente, um volume insignificante em comparação com o passado. Essa exploração intensiva levanta questões sobre as consequências ambientais e a sustentabilidade das populações de atum.

Três espécies de atum comercialmente importantes – o atum-azul-do-sul, o atum-azul-do-Pacífico e o atum-patudo – enfrentam ameaças de extinção, vulnerabilidade ou estão quase ameaçadas. No entanto, em algumas regiões, a combinação de governança eficaz, monitoramento e controle de capturas tem estabilizado as populações, mesmo diante de pescarias intensivas. A pesquisa conclui que a mesma capacidade de inovação humana que permitiu a pesca milenar, quando canalizada para a cooperação internacional e a gestão baseada na ciência, pode ser a chave para manter os estoques globais de atum em níveis sustentáveis.

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