Arrecadação federal em setembro atinge R$ 239,4 bilhões, maior valor para o mês desde 2000

Destaques
- •Setembro registra R$ 239,4 bilhões em arrecadação federal, com alta real de 5,62% e maior valor para o mês desde 2000.
- •Crescimento foi impulsionado por tributos sobre capital, previdência, importações e Imposto de Exportação de petróleo, além de mudanças legislativas.
- •Acumulado no ano chega a R$ 2,35 trilhões, também recorde, com alta real de 6,97%.
A arrecadação federal de impostos e contribuições somou R$ 239,4 bilhões em setembro, segundo a Receita Federal. O valor representa um crescimento real de 5,62% em relação ao mesmo mês de 2025, descontada a inflação pelo IPCA. Este é o maior valor registrado para o mês desde o início da série histórica em 2000, indicando um desempenho robusto das contas públicas.
O resultado acumulado de janeiro a setembro atingiu R$ 2,351 trilhões, com alta real de 6,97% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este montante também configura um recorde histórico para os primeiros nove meses do ano.
Fatores que impulsionaram a arrecadação
Diversos fatores contribuíram para o aumento expressivo da arrecadação. Entre eles, destacam-se o crescimento da contribuição previdenciária, do PIS/Cofins, do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital, e do IRPJ e CSLL. A Receita Federal também ressaltou a contribuição do Imposto de Exportação sobre óleo bruto, instituído para garantir o abastecimento nacional em um contexto de guerra no Oriente Médio.
Mudanças legislativas recentes também tiveram impacto. A tributação de dividendos a partir de 2026, o aumento da alíquota do IOF sobre crédito e câmbio, a reoneração gradual da folha de pagamentos, o fim de benefícios para o setor de eventos (Perse), e a alta na tributação de fundos exclusivos e de juros sobre capital próprio foram citados como impulsionadores.
A arrecadação previdenciária somou R$ 64,6 bilhões em setembro, com alta real de 6,18%, refletindo o aumento da massa salarial e da arrecadação do Simples Nacional previdenciário. Já os tributos sobre importações cresceram 21,07%, impulsionados pelo aumento das importações e alíquotas.
Desempenho por tributo e setor
O IRRF sobre rendimentos de capital registrou alta real de 9,87% em setembro, impulsionado pela tributação de dividendos e aplicações de renda fixa. No acumulado do ano, o IRPJ e a CSLL arrecadaram R$ 444,2 bilhões, com alta real de 5,76%. O PIS/Pasep e Cofins totalizaram R$ 466,56 bilhões, com crescimento real de 4,10%.
O setor de extração de petróleo e gás natural apresentou o maior crescimento percentual acumulado no ano, com alta real de 510,60%, influenciado pelo Imposto de Exportação sobre óleo bruto. Entidades financeiras, comércio atacadista, fabricação de veículos automotores, jogos de azar e serviços de informação também registraram aumentos significativos em suas arrecadações.
Arrecadação ajustada e metas fiscais
Ao descontar pagamentos atípicos e efeitos de alterações na legislação, a arrecadação das receitas administradas pela Receita Federal somou R$ 2,26 trilhões de janeiro a setembro, com crescimento real de 5,77%. Fatores não recorrentes, como pagamentos atípicos de IRPJ/CSLL e o Imposto de Exportação de petróleo, totalizaram R$ 23,87 bilhões.
O governo espera contar com o aumento da arrecadação para atingir a meta fiscal de 2026, que prevê um saldo positivo de 0,25% do PIB. No entanto, o arcabouço fiscal permite um intervalo de tolerância, e despesas com precatórios podem impactar o resultado final, projetando um possível rombo para o período.
Matérias originais
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