Argentina e FMI chegam a acordo sobre revisão de programa econômico

Destaques
- •Acordo em nível de equipe entre Argentina e FMI abre caminho para liberação de cerca de US$ 900 milhões.
- •Fundo Monetário Internacional elogia políticas fiscais e monetárias prudentes que têm levado à desinflação e fortalecido reservas.
- •Próximos passos incluem aprovação do Conselho Executivo do FMI e submissão do Orçamento de 2027 ao congresso argentino.
O governo da Argentina e o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciaram na terça-feira (28) um acordo em nível de equipe sobre a terceira revisão do programa de reforma econômica do país sul-americano. O acordo, que faz parte de um programa de 48 meses apoiado pelo Fundo Estendido (EFF), ainda depende da aprovação do Conselho Executivo do FMI, mas, se confirmada, permitirá à Argentina acessar cerca de US$ 900 milhões. A expectativa é que a revisão seja submetida ao Conselho Executivo no início de dezembro.
O FMI destacou que o programa tem apresentado resultados significativos, mesmo diante de um cenário global desafiador. Segundo o comunicado do Fundo, as políticas fiscais e monetárias adotadas têm sido prudentes, contribuindo para a contínua desinflação e para o fortalecimento substancial das reservas internacionais e dos amortecedores econômicos do país.
Avanços nas Reservas e Financiamento
As reservas internacionais líquidas da Argentina superaram a meta estabelecida para o final de junho em aproximadamente US$ 4 bilhões. O Banco Central argentino já adquiriu cerca de US$ 16 bilhões em reservas neste ano. Adicionalmente, o Tesouro Nacional captou mais de US$ 5 bilhões em câmbio nos mercados locais. A BCRA (Banco Central da República Argentina) também refinanciou US$ 6 bilhões em operações de venda temporária de ativos, com vencimentos até 2028.
O governo argentino, com apoio de credores oficiais, obteve financiamento bancário transfronteiriço garantido no valor de US$ 3,2 bilhões e está próximo de garantir mais US$ 1 bilhão até o final do ano. O FMI também mencionou que as autoridades argentinas concordaram em manter a prontidão para acessar os mercados internacionais de capitais quando as condições forem favoráveis e ativar linhas de crédito contingentes, caso necessário.
Reformas Estruturais e Políticas Elogiadas
O FMI elogiou as reformas estruturais de larga escala implementadas nas áreas de comércio, trabalho, investimento e mercados de capitais. Essas reformas visam criar uma economia mais eficiente e orientada para o mercado, com volumes de exportação atingindo novos recordes. Os investimentos aprovados sob o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) já ultrapassam US$ 76 bilhões, com expectativa de que sua execução impulsione o crescimento e a geração de empregos.
O pacote de políticas acordado visa consolidar a desinflação, aumentar a resiliência econômica e estimular o crescimento e o emprego. A política fiscal continuará sendo ancorada em um superávit primário de 1,4% do PIB em 2026 e um esforço fiscal similar em 2027, com o Orçamento de 2027 já submetido ao congresso. Este seria o quarto ano consecutivo de superávit fiscal primário.
A política monetária seguirá focada nos agregados monetários, calibrados para apoiar a desinflação e o acúmulo de reservas, mantendo a flexibilidade da taxa de câmbio. O Banco Central continuará a fortalecer suas operações de liquidez e a melhorar a transmissão da política monetária. As reformas estruturais priorizarão o aprofundamento dos mercados de capitais, o acesso a financiamentos de longo prazo e a facilitação de investimentos estratégicos.



