Ambev: Lucro líquido cai 10,2% no 3T26, mas receita e Ebitda ajustado crescem

Destaques
- •Ambev reportou lucro líquido de R$ 4,37 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 10,2% em relação ao ano anterior.
- •A receita líquida orgânica cresceu 7,6% e o Ebitda ajustado avançou 8,9%, impulsionados por crescimento em segmentos premium e de bem-estar.
- •Companhia aposta na recuperação do mercado de cerveja no Brasil e aprova recompra de até 190 milhões de ações.
A Ambev (ABEV3) divulgou seus resultados financeiros para o terceiro trimestre de 2026, apresentando um lucro líquido de R$ 4,37 bilhões, o que representa uma queda de 10,2% em comparação com o mesmo período de 2025. A redução foi atribuída à ausência de efeitos tributários não recorrentes e a impactos de desinvestimentos. No entanto, o lucro líquido ajustado apresentou crescimento de mais de 14,3%, alcançando R$ 4,4 bilhões, superando as expectativas do mercado.
A receita líquida orgânica consolidada da companhia avançou 7,6%, totalizando R$ 21,595 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) orgânico ajustado também registrou alta de 8,9%, chegando a R$ 7,271 bilhões, com uma expansão de 0,4 ponto percentual na margem ajustada. O fluxo de caixa das atividades operacionais também se destacou, com um aumento de cerca de R$ 759 milhões.
Recuperação e apostas no mercado brasileiro
Apesar da queda no lucro líquido reportado, a Ambev demonstra otimismo com a recuperação do mercado de cerveja no Brasil. No terceiro trimestre de 2026, a indústria cervejeira brasileira cresceu cerca de 4%, e o volume de Cerveja Brasil da Ambev avançou 2,7%, superando o desempenho geral do setor. Este resultado contrasta com o período de queda nos volumes em 2025, que a empresa atribuiu a fatores como temperaturas mais baixas e pressão na renda disponível.
A CMO da Ambev, Dani Waks, expressou otimismo com a categoria, afirmando que a empresa está investindo em suas marcas em percentual de dois dígitos, o dobro do crescimento da receita. A companhia busca ocupar diferentes ocasiões de consumo e acredita que a indústria de cerveja tem potencial de crescimento a longo prazo no Brasil.
Crescimento em segmentos premium e de bem-estar
O segmento premium tem sido um motor de crescimento para a Ambev, com um aumento de 19% no volume no terceiro trimestre. Marcas como Stella Pure Gold e Michelob Ultra apresentaram crescimentos expressivos, com altas de 195% e 478%, respectivamente. A estratégia da empresa foca em ocupar territórios de consumo complementares e fortalecer a premiumização.
O portfólio de "Wellness", que inclui cervejas sem glúten, com menos calorias ou com baixo/zero teor alcoólico, também registrou um salto de 157% em volume. O segmento de cervejas zero álcool cresceu 43%. A Ambev tem investido em inovações como a Spaten Pro, uma cerveja sem álcool com alto teor de proteína, desenvolvida no Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) da companhia.
Inovação e canais digitais
O Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) da Ambev, localizado no Rio de Janeiro, tem sido fundamental para o desenvolvimento de novos produtos. Cerca de 20% da receita da empresa já vem de marcas ou embalagens lançadas nos últimos cinco anos. O CIT, que recebeu R$ 180 milhões em investimento, é um dos seis centros de inovação da AB InBev no mundo e foi responsável pelo desenvolvimento de produtos como a Spaten Pro, Corona Zero e Stella Pure Gold.
Os canais digitais, como o Zé Delivery, também ganham destaque. A plataforma conecta a companhia a cerca de 27 milhões de consumidores por ano e seu GMV (valor bruto das vendas) cresceu 16%. O Zé Delivery é utilizado para testar a aceitação de novos produtos e observar como os consumidores os incorporam em novas ocasiões, como após exercícios físicos. A plataforma BEES, voltada para o público B2B, está presente em mais de 1 milhão de pontos de venda e seu GMV cresceu 83%.
Programa de recompra de ações
O Conselho de Administração da Ambev aprovou um programa de recompra de ações de até 190 milhões de ações ordinárias, com o objetivo principal de cancelamento. O programa será executado nos próximos 18 meses, com encerramento previsto para abril de 2028.
Matérias originais
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